Translate

Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta 1001 Books to Read Before You Die. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1001 Books to Read Before You Die. Mostrar todas as mensagens

[Opinião] Drácula - Bram Stoker

                             


 
          

Título: Drácula

Série: -

Autor: Bram Stoker

Data de Leitura: 10/10/2026 ⮞ 28/10/2026

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Uma verdadeira obra-prima, Drácula transcendeu gerações, linguagem e cultura para tornar-se um dos romances mais populares alguma vez escritos. É por excelência uma história de suspense e horror, que ostenta um dos personagens mais terríveis que já nasceram na literatura: o conde Drácula, um espectro trágico e noturno que se alimenta do sangue dos vivos, e cujas paixões diabólicas depredam os inocentes, os desamparados, e os belos. Mas Drácula também se destaca como uma saga alegórica de um ser eternamente amaldiçoado cujas atrocidades noturnas refletem o lado sombrio da era extremamente moralista em que foi originalmente escrito - e os desejos corruptos que continuam a atormentar a condição humana moderna.


Minha review no GoodReads


Coisas sobrenaturais não são muito a minha praia e, por isso, nunca tive grande vontade de ler Drácula, de Bram Stoker. Mas, como estamos no mês do terror, resolvi aventurar-me por um clássico. Também contribuiu o facto de, há uns meses, ter lido Frankenstein que, contrariamente ao que o cinema nos habituou a pensar, é uma obra fantástica.

Posto isto, e sendo Drácula um livro com mais de 60 mil reviews, não vou perder tempo a falar da história. Prefiro falar das sensações que me foi transmitindo ao longo da leitura.

E tenho de reconhecer que o início é fantástico. Logo durante a viagem até ao castelo do conde, há uma série de presságios que nos deixam de pé atrás. Aquelas primeiras páginas, até à chegada de Jonathan Harker ao castelo, criam uma atmosfera de terror, tensão e arrepios. Há qualquer coisa de inquietante naquela viagem, na paisagem, nas pessoas que Harker encontra e na sensação de que alguma coisa está muito, muito errada. Foi aqui que pensei que tinha feito uma excelente escolha para o mês do terror.

Depois, foi sempre a descer, em termos de entusiasmo.

A resolução do problema da Lucy ainda vai mantendo algum interesse, mas, a partir daí, começamos a levar com cartas, entrada de fonógrafo, telegramas, entradas de diário, relatórios médicos e mais uma quantidade de documentos que, a certa altura, já parecem chouriços para encher. Pel'amor de Deus, aquela gente só estava bem a escrever cartas, cartinhas e bilhetinhos, a registar tudo o que lhes acontecia e a beber vinho e brande. Não havia um acontecimento que não merecesse ser documentado por meia dúzia de pessoas, de preferência em formatos diferentes. Uma pessoa até fica a pensar se não seria mais fácil resolver o problema do conde se, em vez de tanta escrita, se decidissem a fazer alguma coisa.

Felizmente, a Mina entra em acção e a coisa melhora um bocadinho. Para mim, é ela a cola que mantém aquele grupo unido. Enquanto os homens parecem um bando de baratas tontas atrás do conde, a Mina revela uma capacidade de organização, raciocínio e iniciativa que faz falta ao resto da equipa. Ainda bem que lá está, porque, sem ela, suspeito que continuariam todos a trocar correspondência até ao fim dos tempos.

Também acredito que, quando foi publicado, Drácula tenha sido uma verdadeira pedrada no charco da sociedade vitoriana. Imagino muitas senhoras a precisarem de sais para recuperar dos desmaios provocados pelo horror e pelo medo. Afinal, estamos a falar de uma época com outros códigos morais, outras sensibilidades e uma relação muito diferente com o que era considerado assustador ou perturbador. O que na altura poderia ter sido chocante, ousado e aterrador, hoje já não tem necessariamente o mesmo efeito. Em pleno século XXI, depois de tudo o que já vimos e lemos, confesso que me soube a pouco.

[Lido] A Mãe - Maxim Gorky

                                   


  


Título: A Mãe

Série: -

Autor: Maxim Gorky

Data de Leitura: 1980-1989

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Traçando a vida de uma mulher da classe trabalhadora na Rússia rural, nas vésperas da Revolução de 1905, A Mãe evoca, de forma poderosa, a crueldade, o absurdo e a amargura de uma vida sob o regime opressivo da Rússia czarista.

Numa cidade fabril anónima, uma mãe de meia-idade pensa que, depois da morte do marido abusivo, terá de encarar uma vida marcada por um trabalho árduo e enfadonho. No entanto, começa gradualmente a ter consciência da presença do filho, um jovem reservado, que passa as noites a ler livros sobre filosofia e economia.

À medida que os dois se aproximam, ele deixa a mãe entrar no seu mundo secreto, no qual os textos, aparentemente inofensivos, representam novas ideias radicais, cuja difusão faz com que Pável esteja em perigo constante. A mãe adere a um grupo socialista revolucionário e, embora fosse radicalizada pelas conversas de Pável e dos seus amigos, dá-lhes, ao mesmo tempo, uma perspetiva humana que valoriza a bondade, a piedade e o amor.

Nesta obra, os objetivos políticos entrelaçam-se com passagens de beleza lírica e personagens vivas e memoráveis. Um romance comovente que se tornou um clássico da literatura mundial.


Minha review no GoodReads

-

[Opinião] Frankenstein - Mary Wollstonecraft Shelley

                                     


 

Título: Frankenstein

Série: -

Autor: Mary Wollstonecraft Shelley

Data de Leitura: 10/02/2026 ⮞ 23/02/2026

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse


Mary Shelley começou a escrever Frankenstein quando tinha apenas dezoito anos. Simultaneamente um thriller gótico, um romance apaixonado e um conto de advertência sobre os perigos da ciência, Frankenstein conta a história do estudante de ciências Victor Frankenstein. Obcecado em descobrir a origem da vida e conseguindo animar matéria inerte, Frankenstein monta um ser humano a partir de partes do corpo roubadas; porém, ao trazê-lo à vida, recua horrorizado ante a fealdade da criatura. Atormentada pelo isolamento e pela solidão, a criatura outrora inocente vira-se para o mal e desencadeia uma campanha de vingança assassina contra o seu criador, Frankenstein.

Frankenstein, um best-seller instantâneo e um antepassado importante do terror e da ficção científica, não só conta uma história aterrorizante, como também suscita perguntas profundas e perturbadoras sobre a própria natureza da vida e o lugar da humanidade no cosmos: o que significa ser humano? Quais são as responsabilidades que temos uns com os outros? Até onde podemos ir na manipulação da Natureza? Na nossa época, cheia de notícias sobre a engenharia genética, doação de órgãos e bioterrorismo, estas questões são mais relevantes do que nunca.


Minha review no GoodReads


Quando era criança, num tempo em que havia apenas dois canais de televisão, vi a versão de 1931 — o célebre “It’s alive! It’s alive! It’s aliiiive!”” — de Frankenstein de James Whale, e não gostei.



A imagem daquela criatura afastou-me durante décadas da obra que lhe deu origem, mas a maturidade algum dia chega, e resolvi despir-me de todos os preconceitos e “abraçar a obra”.


Frankenstein, de Mary Wollstonecraft Shelley, publicado anonimamente em 1818, nasceu num verão improvável, o de 1816, o “ano sem verão”, passado na Suíça com Lord Byron e John Polidori. O desafio de contar histórias de terror gerou uma obra intemporal da literatura. Shelley tinha apenas 18 anos. E, ainda assim, escreveu um romance que continua a dialogar connosco dois séculos depois.

Naquele tempo era assim, quando não havia nada para fazer escreviam-se obras-primas!


O subtítulo é revelador The Modern Prometheus. Tal como Prometeu roubou o fogo aos deuses para o oferecer aos homens, Victor Frankenstein ousa roubar o segredo da vida.


Mas o romance não é sobre ciência “maligna”. É sobre ambição sem ética. Sobre criar sem assumir responsabilidade. Sobre querer o feito grandioso e fugir das consequências.


Victor não é apenas um “cientista louco”. É profundamente humano, orgulhoso, deslumbrado com a própria capacidade, incapaz de lidar com o erro. Cria vida e abandona-a. E é esse abandono que desencadeia a tragédia.


A criatura não nasce má. Aprende pela observação. Descobre a linguagem. Comove-se com a família De Lacey. Lê Paraíso Perdido de John Milton e identifica-se primeiro com Adão, depois com Satanás — criado, mas rejeitado.


A maldade não surge da natureza, mas da exclusão. Da solidão extrema. Da ausência de amor.


Shelley parece perguntar-nos: quem é verdadeiramente monstruoso? O ser que suplica por companhia ou o criador que lhe vira as costas?


A criatura é violenta, mas também profundamente sensível. Victor é culpado, mas também trágico. Não há caricaturas. Há humanidade em conflito.


E puxando este clássico para os nossos dias é impossível lê-lo hoje sem pensar em inteligência artificial, manipulação genética, clonagem.


Criamos tecnologia cada vez mais autónoma, editamos genes, sonhamos com a superação dos limites biológicos. Tal como Victor, somos fascinados pela possibilidade de ultrapassar a morte, de melhorar a condição humana, de dominar a natureza.

Onde acaba o tratamento e começa a ambição desmedida?

Se criarmos algo que sofre, temos o direito de o criar?

E se o criador abandona a sua criação, deixa de ser responsável por ela?


Shelley, há mais de duzentos anos, já estava a dialogar com estas inquietações, e é isso que torna este romance intemporal não é apenas a temática científica. É a sua compreensão da condição humana, a necessidade de ser reconhecido, o impacto devastador da rejeição, o peso do orgulho, a solidão que atravessa criador e criatura.


No final, não estamos perante um romance de terror. Estamos perante uma tragédia moral. Um livro que nos obriga a conversar sobre ciência, ética, responsabilidade, amor, abandono, identidade.


Cinco estrelas porque Frankenstein não é apenas um clássico, é um livro que nos lê a nós.

[Lido] Cisnes Selvagens - Jung Chang

                                  


  

Título: Cisnes Selvagens

Série: -

Autor: Jung Chang

Data de Leitura: 2000-2010

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

"Cisnes Selvagens" faz-nos penetrar profundamente na China; dos palácios às celas de prisão, das grandes manifestações insurreccionais à intimidade dos quartos, onde as confidências das mulheres passam de mãe para filha. Impressionante na sua dimensão, inesquecível nas suas descrições do longo pesadelo da China, é simultaneamente um importante documento de história contemporânea e um extraordinário testemunho do espírito humano. Combinando o intimismo da memória com o fôlego épico de um grande romance, "Cisnes Selvagens" conta a história de três mulheres - a própria Jung Chang, a mãe e a avó materna - cujos destinos reflectem a história tumultuosa da China do século XX. À medida que os anos passam nesta bem urdida trama familiar, vemos três vidas desdobrando-se uma após outra através do amor, da tragédia e da renovação.



Minha review no GoodReads


-

[Lido] D. Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes Saavedra

                                  


  


Título: D. Quixote de La Mancha

Série: -

Autor: Miguel de Cervantes Saavedra

Data de Leitura: 2000-2010

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Considerado o primeiro romance moderno, D. Quixote de La Mancha foi eleito em 2002 o melhor livro de todos os tempos por um conjunto de cem escritores nomeados pelo Instituto Nobel. D. Quixote, um fidalgo de Castela assanhado pela leitura de romances de cavalaria, decide que é seu "ofício e exercício andar pelo mundo endireitando tortos, e desfazendo agravos" e parte à aventura na companhia de seu fiel e prosaico escudeiro, Sancho Pança. As hilariantes maluquices do Cavaleiro Andante liquidam, com a sua "moral do fracasso", as últimas ilusões da epopeia: aquilo a que Adorno chama "a ingenuidade épica". Depois de D. Quixote , nada mais será igual.

Tradução de Aquilino Ribeiro, considerada uma das melhores traduções da obra para a língua portuguesa. Versão ilustrada (ilustrações de Gustave Doré).


Minha review no GoodReads


-

[Opinião] A Aldeia - William Faulkner

         



Título: A Aldeia

Série: The Snopes Trilogy #1

Autor: William Faulkner

Data de Leitura: 27/07/2025 ⮞ 24/08/2025

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Jody Varner, filho do grande proprietário do Velho Domínio do Francês, está a cortar corda no armazém quando vê chegar um homem baixo, de chapéu de abas largas e casaco demasiado grande. «O meu nome é Snopes. Ouvi dizer que tem uma quinta para alugar. » Sobre os Snopes correm histórias de um passado sombrio, com indícios criminosos que à primeira vista os tornam vítimas fáceis em jogos de poder. Mas rapidamente a enigmática família de jornaleiros dá provas de que a sua presença naquela aldeia do sul dos Estados Unidos será tudo menos passiva. Numa sucessão de incidentes assustadores contados com humor retorcido, A Aldeia marca o arranque da trilogia construída por William Faulkner em torno da família Snopes. Um romance surpreendente e um empolgante predecessor de A Cidade, o segundo momento da saga.



Minha review no GoodReads


William Faulkner – Prémio Nobel da Literatura, 1949

"por sua contribuição forte e artisticamente incomparável para o moderno romance americano"




William Faulkner (1897-1962) nasceu e morreu no estado do Mississippi e é hoje reconhecido como uma das grandes vozes da literatura americana do século XX. 
Ao longo da sua carreira recebeu o Prémio Nobel da Literatura e dois Pulitzer, conquistados com A Fábula e Os Ratoneiros.

Publicado em 1940, A Aldeia é o primeiro volume da Trilogia Snopes, que tem continuação com A Cidade e A Mansão. 

Neste livro acompanhamos a chegada da família Snopes à mítica Yoknapatawpha, mais concretamente à comunidade de O Domínio do Francês. Vindos de origens humildes e inicialmente apenas arrendatários da influente família Varner, os Snopes começam a ascender socialmente — não pela admiração ou mérito, mas através de uma estratégia dissimulada e controversa que, pouco a pouco, lhes vai garantindo poder.

A personagem princiapl é Flem Snopes, um homem frio, ambicioso e sempre a calcular os seus passos, que pouco a pouco vai conquistando terreno numa comunidade fechada e desconfiada de estranhos. À sua volta movem-se outras personagens: Ab Snopes, o patriarca da família, e V. K. Ratliff, um vendedor de conversa afiada que, sempre que pode, tenta pôr travão às manobras da família Snopes.

A construção da narrativa é episódica, quase como um puzzle de histórias soltas que lentamente compõem um retrato social. Mas foi precisamente aqui que a minha leitura emperrou, a sensação constante de que nada avançava, de que voltávamos sempre ao mesmo lugar, tornou a experiência enfadonha, arrastada, confusa e pouco gratificante.

Não há dúvida de que Faulkner escreve com mestria. As descrições são minuciosas, a oralidade é captada com grande precisão, e o humor — tantas vezes apontado como um dos trunfos do livro — é subtil e corrosivo. No entanto, a maior distância que senti foi em relação às personagens. Não consegui criar empatia com nenhuma delas e a leitura acabou por se transformar mais num exercício de apreciação técnica do que num verdadeiro envolvimento emocional.

[Lido] Tenda dos Milagres - Jorge Amado

                      


 
        

Título: Tenda dos Milagres

Série: -

Autor: Jorge Amado

Data de Leitura: 1980-1989

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Nesta obra de Jorge Amado cruzam-se e interpenetram-se narrativas diversas, tempo passado, tempo presente e um tempo mágico, mundos mortos e mundos vivos.

O autor pretende oferecer uma visão da luta do povo baiano para sobreviver e criar cultura em meio de condições tão adversas de miséria e de opressão. De cambulhada, encontraremos no livro letrados e bêbados, ilustres professores e capoeiristas, gente de candomblé e doutores de borla e capelo, policiais e povo.


Minha review no GoodReads

-




 

[Opinião] O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

                    


    


Título: O Retrato de Dorian Gray

Série: -

Autor: Oscar Wilde

Data de Leitura: 10/05/2025 ⮞ 24/05/2025

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

O Retrato de Dorian Gray foi publicado em 1890 e depressa se tornou a obra mais conhecida de Oscar Wilde. O romance celebra o esteticismo, assume os seus riscos e aborda pela primeira vez o tema da homossexualidade na literatura inglesa.

Oscar Wilde afirmaria que «Basil Hallward é aquilo que eu penso de mim; Lord Henry, o que o mundo pensa de mim; e Dorian é o que eu gostaria de ser noutra época, talvez».


Minha review no GoodReads


a classic is a classic is a classic


Quando Oscar Wilde publicou O Retrato de Dorian Gray em 1890, dificilmente imaginaria o quão actual a sua obra se tornaria num mundo onde a imagem é tudo, onde o valor de uma pessoa pode ser medido em likes e filtros, e onde a juventude se tornou mercadoria. Se no fim do século XIX o retrato pintado era o espelho da alma, hoje vivemos rodeados de retratos digitais que escondem — ou revelam — mais do que imaginamos.


Dorian Gray é um jovem de beleza rara que deseja manter-se eternamente jovem enquanto o seu retrato envelhece por ele. Essa separação entre a aparência e a essência, que noutros tempos dependia de uma tela de pintura, encontra hoje palco nas redes sociais. O “retrato” moderno está no Instagram, no TikTok, nos stories cuidadosamente editados, nos filtros que eliminam rugas e imperfeições — e criam versões idealizadas de nós mesmos que parecem viver melhor do que nós próprios.


Dorian vive fascinado pela própria imagem, e quando descobre que pode manter a juventude física enquanto esconde a corrupção moral num retrato oculto, entrega-se a uma vida de prazer sem limites, sem remorso. Esta dualidade entre o eu público e o eu privado encontra eco no mundo digital: muitas pessoas constroem personas online que parecem impecáveis, felizes, produtivas — enquanto lidam, no privado, com ansiedade, vazio ou alienação.


A personagem de Lord Henry, com a sua filosofia de hedonismo estético e desprezo pelas convenções morais, antecipa os influencers modernos que pregam o culto do sucesso, da beleza, da auto-indulgência — sem responsabilização. Tal como ele, muitos influenciam vidas com frases sedutoras e um estilo de vida aparentemente descomplicado, mas carregado de superficialidade. E como Dorian, há quem siga essas ideias até à exaustão, até que a imagem perfeita já não sustente o peso da alma.


Basil, o pintor que vê em Dorian não só beleza mas também humanidade, é a consciência da história — e é morto por ela. Assim acontece também nos dias de hoje: a sinceridade e a ética são muitas vezes silenciadas pelas lógicas da visibilidade, da performance e do aplauso.


No fim, Dorian, numa tentativa desesperada de se libertar do peso da sua consciência, tenta destruir o retrato. Mas, ao apunhalar a imagem, apunhala-se a si próprio. Ninguém pode manter eternamente a dissociação entre quem é e quem finge ser.


Num tempo em que muitos vivem presos à necessidade de parecer jovens, belos e interessantes, Wilde oferece uma reflexão inquietante sobre o preço da imagem quando esta se torna tirana.


Hoje, o retrato já não está na parede: está nos nossos telemóveis. A pergunta que fica é: quantos Dorians existem por detrás dos ecrãs? E o que escondem os seus retratos digitais?

[Opinião] Season of Migration to the North - Tayeb Salih

          



Título: Season of Migration to the North

Série: -

Autor: Tayeb Salih

Data de Leitura: 04/10/2022 ⮞ 31/10/2022

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

A beautifully constructed novel set in the Sudan and Europe. 'Among the six finest novels to be written in modern Arabic literature.' Edward Said


Minha review no GoodReads


After a long absence ... I returned to my people.


Após sete anos a estudar em Inglaterra o narrador sem nome regressa à pequena vila, junto às margens do rio Nilo, onde cresceu.


Ao regressar conhece um forasteiro chamado Mustafa Sa’eed que se estabeleceu na aldeia alguns anos antes, e de quem ninguém sabe grande coisa.


Uma noite, enquanto bebe junto com os aldeões, o narrador descobre que Sa’eed recita poesia em inglês. Chocado com a descoberta percebe que há mais na identidade do forasteiro do que aquilo que ele aparenta. Numa noite escaldante, Sa’eed resolve narrar a história da sua vida em Inglaterra ao narrador.


Season of Migration to the North é complexo no seu estilo, no seu enquadramento bem como no uso de metáforas. Aborda o colonialismo, a política do Sudão independente, os hábitos da população, as relações entre homens e mulheres que são pautadas pela violência, os costumes sexuais e o estatuto das mulheres.


You know how life is run here, [Mahjoub] he interrupted me. Women belong to men, and a man’s a man even if he’s decrepit.



Sudão


[Opinião] África Minha - Isak Dinesen / Karen Blixen


                    

Título: África Minha

Série: 

Autor: Isak Dinesen / Karen Blixen

Data de Leitura: 29/12/2024 ⮞ 14/01/2025

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Quando era rapariguinha estava bem longe de pensar ir um dia para África, e nem sonhava sequer que uma quinta em África fosse um lugar em que poderia sentir-me perfeitamente feliz’’, Karen Blixen Karen Blixen partiu para o Quénia, em 1914, para dirigir uma plantação de café. Em 1931, a falência do projecto, levou-a a regressar à Dinamarca onde escreveu um livro relatando as suas experiências.

África Minha é uma celebração da sua vida no Quénia, dos amores que aí teve, da sua solícita amizade com os povos da região e da relação com a paisagem e os animais. Uma obra que termina com uma enorme sensação de perda e que é uma das mais belas narrativas sobre África.


Minha review no GoodReads


Karen Christence, baronesa de Blixen-Finecke, conhecida pelo pseudónimo de Isak Dinesen, casou-se em 1914 com o barão sueco Bror von Blixen-Finecke, e foram viver para o Quénia para gerir uma propriedade agrícola.


É um romance autobiográfico que narra o período que Karen viveu nas colinas de Ngong.



Tive uma fazenda em África, no sopé das montanhas Ngongo.


A quinta, que, para além de produzir café, também se dedica à agricultura, é rodeada por florestas habitadas tanto por animais selvagens como por povos nativos, como os Masai e os Kikuyus. Há também contacto com outros povos que vivem perto de Nairobi e junto ao mar, como os somalis e os suaílis.

Foram dezassete anos de amor por África que Karen Blixen recorda através de histórias passadas na quinta, com os seus funcionários ou com as visitas que eram frequentes, bem como episódios com os nativos e os animais selvagens.

À medida que a narradora percorre as suas memórias, descreve uma paisagem que se aproxima de um paraíso.


Os panoramas eram imensamente vastos e tudo o que se avistava evocava a grandeza, liberdade e uma incomparável nobreza.

(…)

Lá no alto, nos cumes, respirava-se com facilidade, inalando uma confiança vital e leveza de coração. Quando se acordava de manhã pensava-se: “Aqui estou eu, onde devia estar.”

(…)

É quando se começa a perder a consciência da liberdade e a necessidade entra no mundo, quando surge a pressa e a tensão, uma carta que se tem de escrever ou um comboio para apanhar, quando se tem de trabalhar, de fazer galopar os cavalos de sonho ou de disparar as espingardas, que o sonho inicia o seu declínio, transformando-se no pesadelo, que pertence à classe de sonhos mais pobre e mais grosseira.

(…)

A cigarra canta uma cantiga interminável na erva alta, odores correm sobre a terra e estrelas cadentes correm no céu, como lágrimas numa face.


A história de amor entre Karen e Denys Finch-Hatton é apenas uma pequena parte deste livro, e foi transformada no filme Out of Africa de 1985.

É um dos filmes e uma das bandas sonoras da minha vida.


É impossível não recordar as imagens fantásticas do filme quando ambos sobrevoam África.



Os dois viveram uma tórrida história de amor entre 1926 e 1931 que termina de forma trágica com a morte de Finch-Hatton num acidente de avião. É nas colinas do Ngong que Denys é enterrado, com vista para as planícies. É no seu túmulo que mais tarde dois leões aparecem e se sentam.


(…) muitas vezes, ao nascer e ao pôr do Sol, viram leões sobre a sepultura de Finch-Hatton nas montanhas. Um leão e uma leoa foram até lá e estiveram muito tempo de pé, ou deitados, em cima da campa.


Depois de vendida a quinta por problemas na produção e rentabilização das culturas, Karen regressa à Dinamarca e, no momento da despedida do Quénia, quando está no comboio, contempla uma última vez aquele pedaço de África:

Dali avistei as montanhas Ngongo, a sudoeste. A nobre ondulação da cordilheira erguia-se acima da terra muito plana que a cercava, como que tingida de azul. Mas estava tão distante que os quatro picos pareciam insignificantes, quase invisíveis, diferentes do que eram quando os olhávamos da fazenda. E os contornos das montanhas apresentavam-se indistintos, aplanados pela mão da distância.


Karen Blixen não só escreve de forma maravilhosa, como também conseguiu captar na perfeição o espírito e a essência de África, transmitindo o respeito pela natureza e pela vida selvagem. Apenas quem esteve no continente sabe o quão inesquecíveis são as noites africanas, a força da chuva e do sol, o cheiro da terra depois da chuva, os pores-do-sol únicos e irrepetíveis, e a vastidão impressionante das planícies povoadas pelos seus animais selvagens.


[Opinião] Vasto Mar de Sargaços - Jean Rhys

     




Título: Vasto Mar de Sargaços

Série: -

Autor: Jean Rhys

Data de Leitura: 17/06/2022 ⮞ 02/07/2022

Classificação: ⭐⭐


Sinopse

Antoinette Bertha Cosway, conhecida pelo nome do padrasto, Mason, apareceu pela primeira vez em Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Era a herdeira «crioula» (ou seja, branca das Índias Ocidentais) que Mr. Rochester desposou por ordem do seu pai, e que mais tarde surgiria para Jane Eyre como uma assombração na figura da mulher louca conservada em reclusão e escondida nos sótãos de Thornfield Hall. Nascida na opressiva sociedade colonialista da Jamaica dos anos 30, Antoinette Cosway conhece um jovem inglês que é atraído pela sua beleza e sensualidade. Contudo, após o casamento, começam a circular boatos que instalam a desconfiança entre o casal. Apanhada entre as exigências do marido e o seu frágil sentido de pertença, Antoinette é levada à loucura e o marido cai nos braços da heroína de outro romance. «Obcecada pela personagem da primeira Mrs. Rochester de Jane Eyre, de Charlotte Brontë, Jean Rhys acabará por projetar nela grande parte da sua própria experiência de adolescente no seu país de origem. E é como um pesadelo que essa experiência é reconstituída.» [António Mega Ferreira]



Minha review no GoodReads

O Mar dos Sargaços é uma zona, sem vento, no norte do Oceano Atlântico onde os navios ficam presos pelas algas marinhas. Este título é uma metáfora para as personagens que também estão presas entre países e heranças raciais.


Uma herdeira crioula, Antoinette Cosway, cresce numa plantação em decadência na Jamaica do século XIX. Casa com um inglês que a leva para longe do único lugar que alguma vez conheceu, Antoinette, agora Bertha, enfrenta uma doença mental e acaba confinada num sótão.


Achei a primeira e a segunda parte do livro demasiado densas e chaaaatas. Salvaram-se as descrições das paisagens exuberantes da Jamaica.

Na terceira parte encontrei um pouco mais daquilo que remete para Jane Eyre, mas pouco.

Eu sei que há muitos temas importantes, como a mulher e o poder (ou a falta dele), a escravidão, a alienação e até o transtorno de personalidade, mas por mais que o embrulho seja bonito não gostei do conteúdo.



Dominica



[Opinião] As Vinhas da Ira - John Steinbeck

                



Título: As Vinhas da Ira

Série: -

Autor: John Steinbeck

Data de Leitura: 1980-1989

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Data de Re-Leitura: 14/11/2021 ⮞ 13/12/2021

Re-Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Esta obra, que valeu o prémio Pullitzer a John Steinbeck, trata do êxodo de uma família de lavradores que, vendo-se reduzida à miséria por uma tempestade de areia em Oklahoma, resolve emigrar para a Califórnia. A luta que todos os membros da família sustentam na sua exaustiva jornada contra os elementos e os homens e, até, contra o próprio meio de transporte, a coragem de que dão provas, a generosidade de alma que afirmam, a humaníssima capacidade de, apesar de tudo, fraternizarem uns com os outros e com os seus semelhantes trazem um sopro de epopeia, raro, mesmo hoje, em livros de idêntica ou parecida inspiração.


Minha review no GoodReads


John Steinbeck - Prémio Nobel de Literatura, 1962

"por seus escritos realistas e imaginativos, combinando-os com humor simpático e percepção social afiada"



Este livro é um daqueles exemplares que sempre me acompanhou. Foi comprado pela minha Mãe em Lourenço Marques - custou 75$00, em criança o título aguçava-me a curiosidade, em adolescente li-o (hoje percebo que pouco ou nada entendi), quando saí de casa trouxe-o comigo, e ainda hoje tem o seu lugar nas prateleiras cá de casa.
Há quem diga que esta é a obra-prima de Steinbeck, e percebe-se bem porquê. É um livro brutalmente humano, e é impossível não ficar completamente envolvido na trágica história dos Joad. Mas, mais do que a história dos Joad, Steinbeck mostra-nos como o sonho americano era uma ilusão. A grande recessão, a vida miserável dos migrantes, a manipulação económica, o colapso das famílias no Oklahoma, a fuga pela sobrevivência e a esperança de chegar à Califórnia. Durante toda a viagem deparamo-nos com situações de xenofobia, racismo, hostilidade, injustiças, escravidão, ódio etc. É um livro actual, tristemente actual, também noutros lugares do mundo.

Este foi um daqueles momentos “Vale a pena ler de novo” porque alcançou a prateleira dos favoritos.




[Opinião] Anna Karénina - Lev Tolstoi

           




Título: Anna Karénina

Série: -

Autor: Lev Tolstoi

Data de Leitura: 27/10/2024 ⮞ 07/12/2024

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

TRADUÇÃO DE ANTÓNIO PESCADA

«Nos capítulos iniciais de Anna Karénina, somos conduzidos, uma e outra vez, a um sentido de analogia musical. Há efeitos de contraponto e harmonia no desenvolvimento das principais tramas do “prelúdio Oblonski” (o acidente na estação ferroviária, a zombadora discussão sobre o divórcio entre Vronski e a baronesa Chilton, o deslumbramento do fogo vermelho diante dos olhos de Anna). O método de Tolstoi é polifónico; mas as harmonias principais desen- volvem-se com uma tremenda força e amplitude. As técnicas musicais e linguísticas não podem comparar-se de um modo exato. Mas como poderíamos elucidar de outro modo o sentimento de que as novelas de Tolstoi surgem de um princípio interior de ordem e vitalidade, enquanto as dos escritores menos importantes parecem alinhavadas?»


«Anna Karénina morre no mundo do romance; mas cada vez que lemos o livro ela ressuscita, e mesmo depois de o termos acabado adquire outra vida na nossa recordação. Em cada personagem literária existe algo da Fénix imortal. Através das vidas perduráveis das suas personagens, a própria existência de Tolstoi teve a sua eternidade.» [George Steiner, Tolstoi ou Dostoievski]


Minha review no GoodReads

Em casa dos meus pais sempre houve livros, e durante a minha adolescência havia uma colecção em particular que me despertava a curiosidade. Era a colecção em capa dura das Obras Completas de Tolstoi da Editora Arcádia. A minha mãe aconselhou-me a ler Anna Karénina lá por volta dos quinze anos, e eu assim o fiz. Sei que na altura gostei muito e inclusivamente vi, e adorei, o filme de 1948 com a Vivian Leigh.




Mas tal como em As Vinhas da Ira, não tinha idade nem maturidade para apreciar um clássico destes na sua plenitude. Na altura, com quinze anos, vi a história com olhos de adolescente, impressionada pela paixão e pela tragédia, mas sem a maturidade para compreender as suas camadas mais profundas. A releitura revelou-me a riqueza da narrativa, a complexidade das relações humanas e um romance que utiliza o contraste para expressar os seus principais pontos: contrapõe fidelidade com adultério, domesticidade com erotismo, conexão com a natureza com ligação à civilização e, finalmente, compromisso com paixão.


Há quem diga que é considerado o melhor romance alguma vez escrito. Se é ou não o melhor, fica ao critério de cada um, mas para mim continua um livraço e um favorito.


A epígrafe não deixa dúvidas ao que vamos:


Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.


Anna Karénina não é só uma trágica história de amor, ou para algumas almas uma história sobre uma mulher adúltera; é também sobre as falhas e complexidades de que somos feitos. Tolstói tece, com maestria, um retrato das várias formas de amor e conflito humano.


Como diz Nabokov no posfácio:


A sua prosa acompanha as nossas pulsações e as suas personagens parecem mover-se ao mesmo ritmo das pessoas que passam à nossa janela enquanto nos sentamos a ler um livro seu.


Não percebo nada de russo, mas gostei da tradução do António Pescada.




[Opinião] O Fim da Aventura - Graham Greene

                 




Título: O Fim da Aventura

Série: -

Autor: Graham Greene

Data de Leitura: 12/06/2021 ⮞ 24/10/2021

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

A história não tem começo nem arbitrariamente, um personagem escolhe um momento de viver novas experiências a partir do qual terá de seguir em frente...

A relação amorosa do romancista Maurice Bendrix com Sarah Miles inicia-se nos tempos turbulentos do Blitz, em Londres. Mas, um dia, sem explicação, Sarah termina abruptamente a ligação entre ambos.

Parecia impossível que pudesse existir um rival no coração de Sarah, mas mesmo assim, dois anos depois, levado por um ciúme e uma dor obsessivos, Bendrix contrata um detetive privado, Parkis, para a seguir e descobrir a verdade.

Esta absorvente e misteriosa história de uma aventura amorosa e do seu místico fim, contada de forma magistral por Graham Greene, foi adaptada ao cinema por Neil Jordan, com Ralph Fiennes, Julianne Moore e Stephen Rea nos principais papéis.



Minha review no GoodReads


20 Outubro 2021 – Voltei ao início! Agora vai.

Maurice Bendrix, o narrador, começa por dizer que E assim é isto um memorial de ódio muito mais que de amor.
A mim pareceu-me mais uma obsessão, e que obsessão, pel’amordedeus!!!

As três personagens principais deste romance não são memoráveis, e à medida que a história avança ficam cada vez mais detestáveis. No fim já só queria que morressem todos, e rápido.

Divido o livro em duas partes, a primeira (até à queda das v1) gostei bastante do jogo de palavras, dos conflitos internos e das descrições; a segunda parte foi um suplício e estragou-me o prazer que tinha retirado do livro.

[Opinião] Orgulho e Preconceito - Jane Austen

           


  

Título: Orgulho e Preconceito

Série: -

Autor: Jane Austen

Data de Leitura: 06/02/2023 ⮞ 12/02/2023

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.



Minha review no GoodReads


Não vou nem tentar escrever algo de original sobre uma história que a esmagadora maioria já conhece, seja através do livro ou dos filmes, e que tem mais de 90.000 reviews só aqui no GoodReads.


O que é interessante é verificar que a fórmula dos romances pouco mudou nos últimos 210 anos.


Em Orgulho e Preconceito temos as famílias pobres/remediadas, as de classe alta e altamente snobs, a importância do casamento por dinheiro, as paixões entre pessoas de classes diferentes, os mal-entendidos, o papel da mulher na sociedade – ou melhor, a falta dele -, a arrogância do clero etc. Temos também o vilão, o casal de apaixonados que contra todas as probabilidades acabam por ficar juntos, e algumas figuras que compõem um ramalhete interessante na história e que nos permitem observar como viviam e interagiam as diferentes classes sociais da época.

Toda a narrativa anda à volta do Orgulho de Mr. Darcy e o Preconceito de Elizabeth Bennet, e tal como o bom conto de fadas termina com...e viveram felizes para sempre.


[Opinião] Os Buddenbrook - Thomas Mann

        



        

Título: Os Buddenbrook

Série: -

Autor: Thomas Mann

Data de Leitura: 03/04/2021 ⮞ 02/05/2021

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Os Buddenbrook narra a ascensão e a decadência de uma família burguesa alemã através de quatro gerações. Mais do que a crónica em torno da vida e costumes dos seus personagens, este romance é a metáfora exemplar das contradições e dilemas de uma classe, cujo poder e domínio se constroem sobre a fraude, a hipocrisia e a alienação. Ao mesmo tempo, como posteriormente acontecerá nos seus principais romances, Thomas Mann propõe e desenvolve o tema da arte como a instância privilegiada em que o homem pode reflectir sobre si, a sua época e o seu meio.


Minha review no GoodReads



Thomas Mann - Prémio Nobel da Literatura, 1929
"principalmente por seu grande romance, Buddenbrooks, que ganhou reconhecimento cada vez maior como uma das obras clássicas da literatura contemporânea"


É difícil acreditar que Mann tenha escrito Os Buddenbrooks quando tinha 25/26 anos, mas é fácil perceber porque é que pertence aos poucos laureados com o Nobel cujo título da obra está citado na justificação para o prémio.

Os Buddenbrook é a história de quatro gerações de uma família, com foco principal na terceira geração, e a sua decadência. Está escrito de uma forma lenta, com muita atenção aos pormenores e com descrições detalhadas de alguns episódios.
O declínio não é contínuo, mas a família está lentamente a morrer.
Durante todo este processo vamos assistindo ao relacionamento entre pais e filhos, as angústias familiares e sociais, os sacrifícios que as mulheres devem fazer pela família e pela firma, o declínio de toda uma tradição aristocrática e também de um império germânico milenar.

Esta obra-prima entra directamente para a prateleira dos favoritos.

A morte era uma felicidade, uma ventura tão profunda que só podia ser verdadeiramente avaliada em momentos abençoados como aquele. A morte era o regresso de uma odisseia de indizível sofrimento, a correcção de um erro crasso, a libertação dos mais terríveis grilhões e barreiras. A morte era a reparação de um mais que lamentável infortúnio.