Série: -
Autor: Bram Stoker
Data de Leitura: 10/10/2026 ⮞ 28/10/2026
Classificação: ⭐⭐⭐
Sinopse
Uma verdadeira obra-prima, Drácula transcendeu gerações, linguagem e cultura para tornar-se um dos romances mais populares alguma vez escritos. É por excelência uma história de suspense e horror, que ostenta um dos personagens mais terríveis que já nasceram na literatura: o conde Drácula, um espectro trágico e noturno que se alimenta do sangue dos vivos, e cujas paixões diabólicas depredam os inocentes, os desamparados, e os belos. Mas Drácula também se destaca como uma saga alegórica de um ser eternamente amaldiçoado cujas atrocidades noturnas refletem o lado sombrio da era extremamente moralista em que foi originalmente escrito - e os desejos corruptos que continuam a atormentar a condição humana moderna.
Minha review no GoodReads
Coisas sobrenaturais não são muito a minha praia e, por isso, nunca tive grande vontade de ler Drácula, de Bram Stoker. Mas, como estamos no mês do terror, resolvi aventurar-me por um clássico. Também contribuiu o facto de, há uns meses, ter lido Frankenstein que, contrariamente ao que o cinema nos habituou a pensar, é uma obra fantástica.
Posto isto, e sendo Drácula um livro com mais de 60 mil reviews, não vou perder tempo a falar da história. Prefiro falar das sensações que me foi transmitindo ao longo da leitura.
E tenho de reconhecer que o início é fantástico. Logo durante a viagem até ao castelo do conde, há uma série de presságios que nos deixam de pé atrás. Aquelas primeiras páginas, até à chegada de Jonathan Harker ao castelo, criam uma atmosfera de terror, tensão e arrepios. Há qualquer coisa de inquietante naquela viagem, na paisagem, nas pessoas que Harker encontra e na sensação de que alguma coisa está muito, muito errada. Foi aqui que pensei que tinha feito uma excelente escolha para o mês do terror.
Depois, foi sempre a descer, em termos de entusiasmo.
A resolução do problema da Lucy ainda vai mantendo algum interesse, mas, a partir daí, começamos a levar com cartas, entrada de fonógrafo, telegramas, entradas de diário, relatórios médicos e mais uma quantidade de documentos que, a certa altura, já parecem chouriços para encher. Pel'amor de Deus, aquela gente só estava bem a escrever cartas, cartinhas e bilhetinhos, a registar tudo o que lhes acontecia e a beber vinho e brande. Não havia um acontecimento que não merecesse ser documentado por meia dúzia de pessoas, de preferência em formatos diferentes. Uma pessoa até fica a pensar se não seria mais fácil resolver o problema do conde se, em vez de tanta escrita, se decidissem a fazer alguma coisa.
Felizmente, a Mina entra em acção e a coisa melhora um bocadinho. Para mim, é ela a cola que mantém aquele grupo unido. Enquanto os homens parecem um bando de baratas tontas atrás do conde, a Mina revela uma capacidade de organização, raciocínio e iniciativa que faz falta ao resto da equipa. Ainda bem que lá está, porque, sem ela, suspeito que continuariam todos a trocar correspondência até ao fim dos tempos.
Também acredito que, quando foi publicado, Drácula tenha sido uma verdadeira pedrada no charco da sociedade vitoriana. Imagino muitas senhoras a precisarem de sais para recuperar dos desmaios provocados pelo horror e pelo medo. Afinal, estamos a falar de uma época com outros códigos morais, outras sensibilidades e uma relação muito diferente com o que era considerado assustador ou perturbador. O que na altura poderia ter sido chocante, ousado e aterrador, hoje já não tem necessariamente o mesmo efeito. Em pleno século XXI, depois de tudo o que já vimos e lemos, confesso que me soube a pouco.
