Translate

Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Eça de Queirós. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eça de Queirós. Mostrar todas as mensagens

[Opinião] Entre a neve: Literatura - Eça de Queirós

                                 


    

Título: Entre a Neve

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 26/12/2025 ⮞ 27/12/2025

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

"A neve caía". Como um mantra que ecoa ao longo de todo esse extraordinário conto de Eça de Queiroz, a repetição da frase possibilita ao leitor mais sensível solidariza-se com o lenhador que enfrenta sozinho o frio dos montes do norte de Portugal, em busca de lenha para aquecer sua família.


Minha review no GoodReads


Nada como escolher os dias mais frios do ano – 4ºC de temperatura, -1ºC de sensação térmica em Lisboa - para ler Entre a Neve, de Eça de Queirós. Nem mesmo a lareira conseguiu afastar o frio que senti ao longo destas poucas páginas do conto.


(...) o bom Deus lá em cima parece que está tão bem agasalhado ao calor dos seus paraísos e das suas estrelas que não se lembra da pobre gente dos campos e dos montes que se arrepia de frio.


(…) e às vezes um corvo passando silencioso e noturno vinha bater o ar em redor dele com a selvagem palpitação de asas.


E o lenhador, com o peito erguido, os cabelos desmanchados, vermelho, trespassado de chuvas, feroz, com o machado erguido nas mãos, com justos e trágicos encarniçamentos, lutava contra os troncos, contra os ramos, contra a inchação das raízes, contra as duras cortiças e os filamentos tenazes; e enchia o chão de ramagens negras, de braços mortos de árvores, caídos e inertes como armaduras vencidas.


Estava só. Só. Nem pastores, nem vaqueiros, nem caminheiros perdidos. Só. E iam-se os pássaros, iam-se as folhas, ia-se a luz. Ele ficava só.


A neve riscava a noite de branco. Ao longe uivavam os lobos.

E a neve descia. As sombras dos corvos sumiram-se para além das ramas negras. Os cabelos desapareceram. Só ficou a neve!

[Lido] Lisboa - Eça de Queirós

                                     



Título: Lisboa

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 27/10/2025 ⮞ 28/10/2025

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Verdadeira ode à capital portuguesa, a crônica "Lisboa", de Eça de Queiroz, personifica a cidade, apontando suas virtudes e seus vícios, comparando-a a outras grandes capitais, numa narrativa cheia de lirismo e forte sentimento. Como um fado. O texto é oriundo do livro "Prosas bárbaras".


Minha review no GoodReads


Lisboa tem ainda meiguices primitivas de luz e de frescura; (…)

Lisboa não tem estes defeitos da luz: é serena, imperturbável, silenciosa.

Lisboa é um pouco coveiro de almas!

Todavia, Lisboa o que faz? Come.

Lisboa nem cria, nem inicia; vai.

Lisboa, de noite, é tão silenciosa que quase se sente o crescer da erva que a há de cobrir no dia das ruínas.

Em Lisboa a vida é lenta. Tem as raras palpitações de um peito desmaiado.

Ó Lisboa, tu não tens caracteres, tens esquinas!

Lisboa tem compaixões celestes, agrupa-se em coro de lágrimas para ver a morte de um cão; mas afasta-se logo, assobiando, se começa a agonia de uma alma.

Às vezes Lisboa aborrece-se e entra na política (…)

Uma das maiores alegrias de Lisboa é sujar-se!

Lisboa é assim. Vem um dia em que ela quer voltar ao seu elemento primitivo, e ninguém a pode impedir de ser lama: é o entrudo.

Lisboa esquece as funções do seu tédio, a religião da moeda de ouro, o sacerdócio da economia, as atitudes enfáticas do seu pudor, para se dar livremente à lama!

Lisboa é a hospedaria do vento.

Lisboa respeita a limpeza, mas adora a lama. Colisão! Lisboa, cidade inspirada, corta magnificamente o embaraço, lavando-se no lodo do Tejo!

Lisboa que criou? O fado.

Fica-te em paz, Lisboa!

Resigna-te, ó Lisboa querida, ó clara cidade bem-amada, ó vasta graça silenciosa. Resigna-te, ó doce Lisboa, coroada de céu, resigna-te – a não ter alma! 

[Opinião] A Aia - Eça de Queirós

    


Título: A Aia

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 01/04/2019 ⮞ 01/04/2019

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

A Aia é um conto acerca de uma ama que dá leite a um príncipe. Este conto retrata valores como a lealdade e a fidelidade.


Minha review no GoodReads

Uma história de lealdade e fidelidade.

Em livro físico são cerca de 30 páginas, em vídeo no YouTube são apenas 12 minutos.

A Aia, de Eça de Queirós - Canal Andre Levy

 

[Opinião] O Mistério da Estrada de Sintra - Eça de Queirós

   


  

Título: O Mistério da Estrada de Sintra

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 01/05/2024 ⮞ 21/05/2024

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Naquele que é justamente considerado o primeiro romance policial português, conta-se a história de um médico que regressa de Sintra acompanhado por um amigo. A meio do caminho, ambos são raptados por um grupo de mascarados, que os levam para um prédio isolado onde aparecera um homem morto. A partir daí, os acontecimentos sucedem-se em catadupa. Quem é o morto e quem o matou? E porquê? Quem era a mulher com quem ele se encontrava, e quem são os mascarados que pretendem proteger a sua honra? A história foi publicada no Diário de Notícias entre Julho e Setembro de 1870 sob a forma de cartas anónimas, e foram muitos os que se assustaram com os acontecimentos narrados. Só no final é que Eça de Queirós e Ramalho Ortigão admitiram tratar-se de uma brincadeira e que eram eles os autores das cartas.

O Mistério da Estrada de Sintra foi publicado em forma de livro nesse mesmo ano. Em 1885, houve uma segunda edição revista por Eça de Queirós, que é a utilizada na presente edição.


Minha review no GoodReads


O verão estava quente em 1870; o marasmo e a modorra tomavam conta da cidade de Lisboa, e Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, ambos ainda jovens, decidiram brincar com os lisboetas. Conseguiram-no ao usar uma técnica inovadora de publicar a história em capítulos, criando a impressão de que se tratava de uma série de eventos reais narrados em tempo real. Os leitores, ávidos por novidades e entretenimento, seguiam a história com grande interesse, e muitos acreditaram que os eventos descritos eram verdadeiros, uma vez que a forma de publicação dava essa ilusão de autenticidade. Foram dois meses a gozar com a malta!!


A história começa quando um médico e um amigo seu, ambos a cavalo, são raptados por um grupo de quatro homens mascarados na estrada de Sintra, entre São Pedro e o Cacém. São levados para uma casa isolada onde encontram um cadáver e são envolvidos numa série de eventos misteriosos. Os dois amigos, uma vez libertados, tentam desvendar o enigma por conta própria, encontrando um emaranhado de intrigas e amores ilícitos.


O Mistério da Estrada de Sintra é um exemplo muito interessante de como a ficção pode infiltrar-se na realidade através dos meios de comunicação. A sua publicação como folhetim mostra a habilidade dos autores em explorar os limites entre verdade e mentira, um fenómeno que vemos replicado de maneira amplificada no mundo actual das fake news. A história serve como um lembrete da importância de questionar e verificar as informações que recebemos, seja nos jornais do século XIX ou nas plataformas digitais do século XXI.


Alguns anos mais tarde, os autores diriam:

O que pensamos hoje do romance que escrevemos há catorze anos?... Pensamos simplesmente — louvores a Deus! — que ele é execrável; e nenhum de nós, quer como romancista, quer como crítico, deseja, nem ao seu pior inimigo, um livro igual. Porque nele há um pouco de tudo quanto um romancista lhe não deveria pôr e quase tudo quanto um crítico lhe deveria tirar.


Embora Eça de Queirós e Ramalho Ortigão tenham expressado um desdém pelo romance O Mistério da Estrada de Sintra anos depois de o terem escrito, considero esta avaliação demasiado severa e injusta. Sendo a primeira obra não corresponde à sofisticação e maturidade das suas obras posteriores, mas possui qualidades que não podem ser ignoradas e que merecem reconhecimento.


A imagem é da 1ª publicação no D.N. em 1870.
Mistério com Y e Sintra com C 💎


#incunábulos @mastodon

[Opinião] A Cidade e as Serras - Eça de Queirós

  


Título: A Cidade e as Serras

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 26/09/2018 ⮞ 02/10/2018

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

José Maria de Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845 — Neuilly-sur-Seine, 16 de agosto de 1900), escritor e ensaísta, foi um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. De nome completo José Maria de Eça de Queirós nasceu a Novembro de 1845, numa casa na Praça do Almada, em Póvoa de Varzim. O seu pai, José Maria de Almeida de Teixeira de Queirós, nascido no Brasil e vindo para Portugal com um ano de idade, provinha de uma família de magistrados perseguidos pelos seus ideais liberais que defendiam uma doutrina constitucional. Eça foi internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra, onde estudou Direito. Num ambiente boémio da cidade universitária de Coimbra estes jovens reuniam-se para trocar ideias, livros e formas para renovar a vida política e cultural portuguesa, que estava a viver uma autêntica revolução social com a introdução dos novos meios de transportes ferroviários que traziam, todos os dias, novidades do centro da Europa, influenciando esta geração para novas ideologias e valores. Foi nesse grupo que Eça conheceu os futuros escritores e poetas, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Guilherme de Azevedo, Oliveira Martins, entre outros; mas sobretudo, foi aí que travou amizade com Antero de Quental, um jovem carismático a quem os membros do grupo chamavam de líder e que incentivou os restantes a seguir e a difundir as então recentes correntes ideológicas e literárias europeias: o Positivismo, o Socialismo e o Realismo-Naturalismo. Notabilizou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e linguagem, nomeadamente pelo realismo descritivo e pela crítica social constantes nos seus romances mas, tal como o crítico literário, Jacinto Prado Coelho disse: "foi mais analista social do que psicólogo; ironizou Portugal porque muito o amava e o queria melhor."



Minha review no GoodReads


Fundação Eça de Queiroz
Quinta de Tormes – Baião – Santa Cruz do Douro


Publicado em 1901, no ano seguinte ao da morte de Eça de Queirós (1845-1900), A Cidade e as Serras foi desenvolvido a partir da ideia central contida no conto Civilização, datado de 1892.


*** Contém Spoilers***

O romance começa com a história de Dom Galeão, que ao andar pelas ruas de Lisboa, escorrega numa casca de laranja e é ajudado por Dom Miguel. Desse dia em diante ele passa a ser simpatizante e defensor do monarca. Com a queda de Dom Miguel e a sua saída de Portugal, Dom Galeão decide que não mais ficará em terras lusas e parte com malas e bagagens para o 202, Campos Elísios, Paris. É aqui que nasce o seu filho, Cintinho, que é uma criança fraca e torna-se um adulto doente. Mesmo assim consegue casar-se e ter um filho, Jacinto.



A cidade e as Serras está dividido em duas partes que nos apresentam dois cenários diferentes: Paris e Tormes.
Paris é símbolo da civilização, da modernidade, da opulência e da arte.
EdQ critica uma sociedade que acredita que a modernidade e a tecnologia são o prenúncio de felicidade e prosperidade, mas que no fundo vive entediada, desinteressada e sem objectivos.
Jacinto, a personagem principal, é um jovem muito rico, saudável, inteligente e cuja máxima filosófica pode ser resumida numa fórmula matemática:

suma ciência x suma potência = suma felicidade

Inicialmente Jacinto é uma personagem cheia de sorte e felicidade, mas cuja vida em Paris acaba por ser desinteressante, levando-o a interessar-se pelas ideias pessimistas de Schopenhauer. É neste estado depressivo que recebe uma carta dando conta de um acidente acontecido numa das suas propriedades, e com o pretexto de trasladar os ossos de seus antepassados, comunica ao seu amigo de sempre, Zé Fernandes, a sua partida para Portugal.

Tormes é símbolo de natureza, fertilidade, vida e felicidade.
Jacinto, o nerd riquinho, chega a Tormes apenas com a roupa do corpo e dá de caras com uma casa destituída de qualquer luxo. É a partir deste momento que se inicia o processo de renovação de Jacinto. Interessa-se pela vida no campo, pela flora, pela pecuária e acaba por promover melhorias nas casas e nos contratos de seus trabalhadores. Jacinto promove uma modernização das serras e estabelece um equilíbrio na sua vida de forma alcançar a suma felicidade. Do casamento com Joaninha, prima de Zé Fernandes, nascem 2 filhos – Jacinto e Teresa.

“- Sua Excelência brotou! (…) Aquele ressequido galho da cidade, plantado na serra, pegara, chupara o húmus do torrão herdado, criara seiva, aprofundara raízes, engrossara o tronco, atirara ramos, rebentara em flores, forte, sereno, ditoso, benéfico, nobre dando frutos, derramando sombra. E abrigados pela grande árvore, e por ela nutridos, cem casais em redor o bendiziam.”

Ler EdQ é sempre enriquecedor - tem uma abundância e variedade de vocabulário impressionantes, tem graça, é irónico sem deixar de ser sério, tem um apurado sentido crítico e uma visão profunda da sociedade, é inovador mas acima de tudo é um génio.





[Opinião] Dentro da Noute: Contos Góticos


 

Título: Dentro da Noute: Contos Góticos

Série: -

Autor: Organizado por Ricardo Lourenço

Data de Leitura: 21/08/2018 ⮞ 17/09/2018

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

«É uma história que faz arrepiar os cabelos.»


Assim principia Camilo Castelo Branco um dos seus romances, e, pese embora o sensacionalismo, da mesma forma poderíamos descrever os vinte e sete contos e novelas incluídos nesta antologia, onde se pretende apresentar uma amostra representativa da literatura gótica produzida por escritores portugueses e brasileiros, assim como dos principais temas que caracterizam o género.


Se esse objectivo foi atingido, apenas os leitores o poderão afirmar, mas estamos em crer que mesmo os de índole menos sensível não conseguirão deixar para trás estas histórias sem que uma leve inquietação os acompanhe.


Convidamos-vos pois a embarcar nesta viagem pelos recessos do medo. Terão coragem para desvendar os mistérios que se ocultam dentro da noute?…


Contos e Novelas Portugueses

1. O Defunto — Eça de Queirós

2. A Dama Pé-de-Cabra— Alexandre Herculano

3. A Caveira — Camilo Castelo Branco

4. A Torre Derrocada — Alberto Osório de Vasconcelos

5. O Mistério da Árvore — Raul Brandão

6. O Corvo — Fialho de Almeida

7. A Feiticeira — Ana de Castro Osório

8. A Morta — Florbela Espanca

9. Os Canibais — Álvaro do Carvalhal

10. Uma Récita do Roberto do Diabo — Júlio César Machado

11. O Cadáver — Beldemónio

12. Sede de Sangue — Manuel Teixeira Gomes

13. A Confissão de Lúcio — Mário de Sá-Carneiro


Contos e Novelas Brasileiros

1. Noite na Taverna — Álvares de Azevedo

2. A Dança dos Ossos — Bernardo Guimarães

3. Os Porcos — Júlia Lopes de Almeida

4. Acauã — Inglês de Sousa

5. Violação — Rodolfo Teófilo

6. Maibi — Alberto Rangel

7. Assombramento — Afonso Arinos

8. 11 e 20 — Medeiros e Albuquerque

9. Demônios — Aluísio Azevedo

10. O Defunto — Thomaz Lopes

11. A Causa Secreta — Machado de Assis

12. O Bebê de Tarlatana Rosa — João do Rio

13. Confirmação — Gonzaga Duque

14. Os Olhos que Comiam Carne — Humberto de Campos


Minha review no GoodReads

O Projecto Adamastor é uma iniciativa que se dedica à conversão de clássicos da língua portuguesa, que já estão em domínio público, para formato digital.
Ricardo Lourenço é o responsável pela compilação destes 27 contos e novelas, sendo 13 de autores portugueses e 14 de brasileiros, e que de outra forma não teria lido por desconhecimento de muitos dos autores aqui apresentados.
Obviamente que numa colectânea destas há sempre uns quantos contos que não nos enchem as medidas, mas a experiência foi muito positiva e no fim só não gostei mesmo do conto Os Canibais de Álvaro do Carvalhal.

Os meus favoritos foram:

🇵🇹
O Defunto – Eça de Queirós (já tinha lido anteriormente)
A Caveira — Camilo Castelo Branco
A Torre Derrocada — Alberto Osório de Vasconcelos
A Feiticeira — Ana de Castro Osório

🇧🇷
A Dança dos Ossos — Bernardo Guimarães
Os Porcos — Júlia Lopes de Almeida
Demônios — Aluísio Azevedo

 

[Opinião] O Defunto - Eça de Queirós

 


Título: O Defunto

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 17/08/2018 ⮞ 17/08/2018

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

«Ela ficara sobre o escabelo, as mãos cansadas e caídas no regaço, num infinito espanto, o olhar perdido na escuridão da noite silente. Menos escura lhe parecia a morte que essa escura aventura em que se sentia envolvida e levada! Quem era esse D. Rui de Cardenas, de quem nunca ouvira falar, que nunca atravessara a sua vida, tão quieta, tão pouco povoada de memórias e de homens? E ele decerto a conhecia, a encontrara, a seguira, ao menos com os olhos, pois que era coisa natural e bem ligada receber dela carta de tanta paixão e promessa…

Assim, um homem, e moço decerto bem nascido, talvez gentil, penetrava no seu destino bruscamente, trazido pela mão de seu marido? Tão intimamente mesmo se entranhara esse homem na sua vida, sem que ela se apercebesse, que já para ele se abria de noite a porta do seu jardim, e contra a sua janela, para ele subir, se arrumava de noite uma escada!… E era seu marido que muito secretamente escancarava a porta, e muito secretamente levantava a escada… Para quê?…»


Minha review no GoodReads

O Defunto é um pequeno conto que marca a incursão de Eça de Queirós pela literatura gótica e fantástica com apontamentos da religiosidade do universo nacional.
A narrativa constrói-se a partir do tema do amor impossível e da atmosfera gótica.
A escrita de Eça de Queirós é um bálsamo para os olhos. Adorei!

 

[Opinião] Singularidades de uma Rapariga Loura - Eça de Queirós

 


Título: Singularidades de uma Rapariga Loura

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 03/08/2018 ⮞ 04/08/2018

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

"Há um provérbio eslavo da Galícia que diz: «O que não contas à tua mulher, o que não contas ao teu amigo, conta-lo a um estranho, na estalagem.» Mas ele teve raivas inesperadas e dominantes para a sua larga e sentida confidência. Foi a respeito do meu amigo, do Peixoto, que fora casar a Vila Real. Vi-o chorar, àquele velho de quase sessenta anos. Talvez a história seja julgada trivial: a mim, que nessa noite estava nervoso e sensível, pareceu-me terrível — mas conto-a apenas como um acidente singular da vida amorosa…

Começou pois por me dizer que o seu caso era simples — e que se chamava Macário."



Minha review no GoodReads

Resumindo: Bonitinha mas safada!

 

[Opinião] A Relíquia - Eça de Queirós

 


Título: A Relíquia

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 23/06/2012 ⮞ 08/07/2012

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Romance saído em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" - por sintetizar a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra. Da intriga central - a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus. A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos sectores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo.



Minha review no GoodReads


finíssima ironia, sátira bem humorada, crítica mordaz e sempre divertida.




[Opinião] A Ilustre Casa de Ramires - Eça de Queirós

 


Título: A Ilustre Casa de Ramires

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 21/11/2017 ⮞ 08/12/2017

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Já desde séculos se perdera a memória do lugar que ocupava aquela torre nas complicadas fortificações da Honra e Senhorio de Santa Ireneia. Não era decerto (segundo padre Soeiro) a nobre torre albarrã, nem a de alcáçova, onde se guardava o tesouro, o cartório, os sacos tão preciosos das especiarias do Oriente — e talvez, obscura e sem nome, apenas defendesse algum ângulo de muralha, para os lados em que o castelo enfrontava com as terras semeadas e os olmedos da Ribeira. Mas, sobrevivente às outras mais altivas, compreendida nas construções do paço formoso que se erguera de entre o sombrio castelo afonsino, e que dominava Santa Ireneia durante a dinastia de Avis, ligada ainda por claras arcarias dum terraço ao palácio de gosto italiano, em que Vicente Ramires converteu o paço manuelino depois da sua campanha de Castela; isolada no pomar, mas sobranceando o casarão que lentamente se edificara depois do incêndio do palácio em tempo de el-rei D. José, e a derradeira certamente onde retiniram armas e circularam os homens do terço dos Ramires — ela ligava as idades e como que mantinha, nas suas pedras eternas, a unidade da longa linhagem. Por isso o povo lhe chamara vagamente a «Torre de D. Ramires».


Minha review no GoodReads


Esta leitura não começou, nem acabou, da melhor forma. Há muito tempo que não lia algo que me aborreceu mais do que satisfez. Achei tudo muito confuso, lia duas páginas e já não me lembrava do que estava para trás.

As personagens também não ajudaram em nada:

Gonçalo Ramires é detestável, oh fidalgo decadente, chato, incoerente, interesseiro, e nem a sua regeneração me convenceu.

Titó, António Vilalobos, é uma personagem divertida.

André Cavaleiro um arrogante e oportunista, mais uma personagem detestável.

Gracinha, uma parvinha.

As irmãs Lousada umas cuscas, como tantas que certamente todos nós conhecemos.


"e na desditosa cidade não existia nódoa, pecha, bule, rochedo, coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, vulto a uma esquina, chapéu estreado na missa, bolo encomendado nas Matildes, que os seus quatro olhinhos furantes de azeviche logo não descortinassem e que a sua solta língua, entre os dentes ralos não comentasse com malícia estridente!".


Eça nunca desilude. A lucidez como analisa Portugal e a sociedade portuguesa é de uma perspicácia e sagacidade avassaladoras, juntando a isto a riqueza de vocabulário (tive que recorrer ao "amansa burro" umas quantas vezes) e as descrições minuciosas e fica difícil dar menos que 3 estrelas.


[Opinião] O Miantonomah - Eça de Queirós

 



Título: O Miantonomah

Série: -

Autor: Eça de Queirós

Data de Leitura: 08/06/2017 ⮞ 08/06/2017

Classificação: ⭐⭐


Sinopse

-


Minha review no GoodReads

O Miantonomah é um poderoso couraçado americano.

São parágrafos e mais parágrafos de uma interminável descrição do navio, bem ao estilo de Eça.

É um livro essencialmente político, onde Eça deixa a sua opinião não só sobre os Estados Unidos da América como também da Europa.

Interessante, mas diferente do que esperava.