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[Opinião] Iracema - José de Alencar

                               


        

Título: Iracema

Série: -

Autor: José de Alencar

Data de Leitura: 13/04/2026 ⮞ 19/04/2026

Classificação: ⭐⭐⭐⭐⭐


Sinopse

Uma das histórias de amor mais aclamadas da literatura brasileira, Iracema, de José de Alencar, apresenta o romance do herói branco com a linda virgem dos lábios de mel. A bela índia Iracema detém o segredo da Jurema, que lhe cobra virgindade. O valente guerreiro português Martim tem a missão de fiscalizar a costa cearense contra invasões estrangeiras. Desse amor proibido nasce o primeiro mestiço, símbolo do povo brasileiro. Obra mais conhecida da literatura romântica nacionalista de José de Alencar, Iracema é uma aventura épica recheada de lirismo poético. Esta edição traz o prefácio de Diana Navas, pesquisadora e autora com diversos livros e artigos publicados em revistas especializadas.


Minha review no GoodReads


Iracema, entre o mito e a linguagem!


Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna[1], e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati[2] não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.


É com esta linguagem que Iracema nos transporta para um universo onde a forma tem tanto peso como a própria história.


Não sendo particularmente apreciadora do romantismo, fui surpreendida por um texto que está longe de ser uma simples história de amor. O encontro entre Iracema e Martim funciona antes como símbolo de um choque cultural, onde duas realidades distintas se cruzam e se transformam.


Iracema, Martim e Japi
Praia do Mucuripe
Fortaleza, CE, Brasil


Dessa união nasce Moacir[3], o primeiro cearense, figura que encarna uma origem marcada pela dor e pela perda, mas também pela criação de algo novo. É nesse equilíbrio que o romance constrói um verdadeiro mito fundador do Ceará.

No entanto, é a escrita de José de Alencar que eleva a obra. Não podemos dizer que o autor não foi destemido ao introduzir termos indígenas, sobretudo do tupi, de forma a abrasileirar a língua e criar uma escrita enraizada na paisagem, na natureza e na cultura local, em vez de reproduzir apenas um modelo europeu.

Quando terminei e percebi que tinha gostado tanto, fui ver algumas resenhas… e parece-me que Iracema é a A Sibila dos brasileiros.


Em tupi, Ceará significa “canto da jandaia”[4], uma imagem que parece condensar todo o universo do romance.

Jandaia


****

[1] Graúna - É o pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem por corrupção de guira – pássaro, e una, abreviação de pixuna – preto.

[2] Jati - equena abelha que fabrica delicioso mel.

[3] Moacir - Filho do sofrimento: de moaci – dor, e ira – desinência que significa saído de.

[4] Jandaia - Este nome que anda escrito por diversas maneiras, nhendaia, nhandaia, e em todas alterado, é apenas um adjetivo qualificativo do substantivo ará. Deriva-se ele das palavras nheng – falar, antan – duro, forte, áspero, e ara – desinência verbal que exprime o agente: nh’ ant’ ara; substituído o t por d e o r por i, tornou-se nhandaia, donde jandaia, que se traduzirá por periquito grasnador. Do canto desta ave, como se viu, é que vem o nome de Ceará, segundo a etimologia que lhe dá a tradição.



Progresso de leitura e citações:


April 14, 2026 – 

6.0% "Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo."


April 15, 2026 – 

17.0% "– O mel dos lábios de Iracema é como o favo que a abelha fabrica no tronco da guabiroba[2]: tem na doçura o veneno. A virgem dos olhos azuis e dos cabelos do sol[3] guarda para seu guerreiro na taba dos brancos o mel da açucena.


[2] Árvore que dá um azeite amargo.

[3] Em tupi, guaraciaba. Assim chamavam os indígenas aos europeus que tinham os cabelos louros.


Está a ser um desafio!!"


April 15, 2026 – 

18.0% "O sono da manhã pousava nos olhos do Pajé como névoas de bonança pairam ao romper do dia sobre as profundas cavernas da montanha."

April 16, 2026 – 

 25.0% "Se a virgem de Tupã [Iracema] abandonar ao estrangeiro [Martim] a flor de seu corpo, ele morrerá!"


April 18, 2026 – 

34.0% "Abriram-se os braços do guerreiro e seus lábios; o nome da virgem ressoou docemente. (...) Assim a virgem do sertão aninhou-se nos braços do guerreiro. (...) Tupã já não tinha sua virgem na terra dos tabajaras."


April 18, 2026 – 

51.0% "— Teu sangue já vive no seio de Iracema. Ela será mãe de teu filho!

— Filho, dizes tu! — exclamou o cristão em júbilo.

Ajoelhou ali e, cingindo-a com os braços, beijou o ventre fecundo da esposa."


April 19, 2026 – 

58.0% "Às vezes lhe vem à mente a ideia de tornar à sua terra e aos seus; mas ele sabe que Iracema o acompanhará; e essa lembrança lhe remorde o coração. (...)

Iracema também foge dos olhos do esposo, porque já percebeu que esses olhos tão amados se turbam com a vista dela, e, em vez de se encherem de sua beleza como outrora, a despedem de si."


April 19, 2026 – 

62.0% "Nessa hora em que o canto guerreiro dos pitiguaras celebrava a derrota dos guaraciabas, o primeiro filho que o sangue da raça branca gerou nessa terra da liberdade via a luz nos campos da Porangaba."


April 19, 2026 – 

67.0% "— Recebe o filho de teu sangue. Chegaste a tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe!

Pousando a criança nos braços paternos, a desventurada mãe desfaleceu como a justiça se lhe arrancam o bulbo."

[Opinião] Senhora - José de Alencar

     



        

Título: Senhora

Série: -

Autor: José de Alencar

Data de Leitura: 11/01/2021 ⮞ 17/01/2021

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Após tornar-se milionária ao receber a herança do avô, a antes pobre e órfã Aurélia decide casar-se com o homem que a decepcionara tanto no passado: Fernando Seixas. Para isso, oferece a ele, anonimamente, um dote de cem mil-réis para que se case com ela. O desejo de ascensão social de Fernando faz ele aceitar a proposta; no entanto, seu casamento com uma das mulheres mais cortejadas do Rio de Janeiro se mostra uma enorme teia de desprezo, ódio e discussões, na qual amor, dinheiro e prestígio social se chocam. Em meio a esse conflito, conseguirá o casal ser feliz?


Minha review no GoodReads

José de Alencar é considerado um dos maiores expoentes do romantismo no Brasil.
Nasceu em Messejana – CE, mas foi no Rio de Janeiro que viveu a maior parte da sua vida.
Foi Ministro da Justiça durante o reinado de D. Pedro II, e ficou também conhecido pela defesa da escravatura.
Publicado em 1875, dois anos antes da morte de Alencar, Senhora é o último romance da trilogia intitulada “perfis de mulher”, cujos outros títulos são Lucíola (1862) e Diva (1864).

Senhora é a história de Aurélia Camargo, rapariga pobre dos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro, que viveu uma paixão com Fernando Seixas que a trocou por Adelaide Amaral e um dote de 30 contos de reis.
Posteriormente Aurélia recebe a herança de seu avô materno, torna-se uma das mais belas e pretendidas damas da sociedade fluminense, e como vingança decide “comprar” Seixas, por 100 contos de reis, para casar com ela.
É uma grande crítica à sociedade da época, em especial aos casamentos combinados, ao poder que o dinheiro exerce sobre as pessoas, às consequências do orgulho exacerbado, ao amor e traição, ao desejo de vingança e ao perdão.

Gostei, mas não me arrebatou.





[Opinião] Senhora - José de Alencar

 


Título: Senhora

Série: -

Autor: José de Alencar

Data de Leitura: 11/01/2021 ⮞ 17/01/2021

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Narrativa dividida em quatro partes, a obra conta a história do casamento entre Aurélia, moça pobre e órfã que se acaba se tornando herdeira de grande fortuna, e Fernando Seixas, frequentador dos altos círculos da corte, mas incapaz de manter financeiramente sua vida luxuosa. Apaixonada por Seixas em seus dias de pobreza, Aurélia é trocada pelo amado por uma moça com um dote de trinta contos de réis. Em uma das reviravoltas do enredo, Aurélia acaba herdeira de grande fortuna, e atrai Seixas de volta para si, anonimamente, em troca de uma quantia três vezes maior. Na noite de núpcias, ela revela seu expediente e a partir de então, a relação dos dois se torna um jogo mordaz de intrigas, manobras sigilosas e diálogos ácidos e repletos de subentendidos.


Minha review no GoodReads


José de Alencar é considerado um dos maiores expoentes do romantismo no Brasil.

Nasceu em Messejana – CE, mas foi no Rio de Janeiro que viveu a maior parte da sua vida.

Foi Ministro da Justiça durante o reinado de D. Pedro II, e ficou também conhecido pela defesa da escravatura.

Publicado em 1875, dois anos antes da morte de Alencar, Senhora é o último romance da trilogia intitulada “perfis de mulher”, cujos outros títulos são Lucíola (1862) e Diva (1864).


Senhora é a história de Aurélia Camargo, rapariga pobre dos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro, que viveu uma paixão com Fernando Seixas que a trocou por Adelaide Amaral e um dote de 30 contos de reis.

Posteriormente Aurélia recebe a herança de seu avô materno, torna-se uma das mais belas e pretendidas damas da sociedade fluminense, e como vingança decide “comprar” Seixas, por 100 contos de reis, para casar com ela.

É uma grande crítica à sociedade da época, em especial aos casamentos combinados, ao poder que o dinheiro exerce sobre as pessoas, às consequências do orgulho exacerbado, ao amor e traição, ao desejo de vingança e ao perdão.


Gostei, mas não me arrebatou.