Título: Vila Sapo
Série: -
Autor: José Falero
Data de Leitura: 02/06/2026 ⮞ 06/06/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
Eis aqui sete histórias escritas com força ímpar e altíssima voltagem literária. Publicado originalmente em 2019, Vila Sapo imediatamente chamou a atenção para José Falero, até então um jovem e desconhecido autor vindo das quebradas de Porto Alegre. Desde aquele momento, o livro apresentou a críticos e leitores um escritor já dotado de uma variada gama de recursos, modulando em cada história a voz das ruas com um refinado registro literário.
Minha review no GoodReads
Vila Sapo é o livro de estreia de José Falero. Segundo o próprio autor, a experiência de Geovani Martins serviu-lhe de incentivo para deixar de ser servente de pedreiro e tentar a carreira literária. Ambos são filhos da favela: Geovani da Rocinha e Falero da Lomba do Pinheiro, um bairro periférico da Zona Leste de Porto Alegre.
O livro reúne sete contos sobre a vida nas vilas (nome dado às favelas no sul do Brasil) e retrata a realidade da periferia da capital gaúcha: pobreza, miséria, violência e falta de oportunidades.
Atotô 5⭐
Encontro de negócios 3⭐
Dignidade-relâmpago 4⭐
Rosa-bebê 5⭐
Aconteceu amor 4⭐
Episódio do badoque (fisga) 3⭐
Um otário com sorte 3⭐
A linguagem utilizada é a da favela, marcada por gírias e expressões populares. Em alguns momentos, essa oralidade é interrompida por uma linguagem mais formal, criando um contraste interessante. Para quem não está familiarizado com este universo linguístico, a leitura pode tornar-se exigente. E não me refiro apenas às particularidades do falar gaúcho.
Também achei cansativa a presença constante da violência. As histórias apresentam um retrato duro da realidade, mas raramente deixam espaço para a esperança ou para perspectivas de mudança.
Algumas expressões que encontrei:
Nessa época, porco na boca era mentira. Só quando alguém matava alguém, daí beleza; mas não toda hora, que nem é hoje em dia.
Porco na boca, significa polícia militar à entrada do bairro.
Fui na baia e voltei galã. Diretamente do fundão do beco, um dom-juan da vila Sapo, camisa branca no ombro, óculos escuro na cara, boné virado no melão, bermuda caindo, uma vírgula estalando no pé.
Baia é casa
Vírgula estalando no pé, são os ténis da marca Nike
Não ia ter nem blá-blá-blá no radinho. Concha de tonel e cana.
Concha de tonel, são muitas estaladas no ouvido com a mão em concha
Apesar das minhas reservas em relação à violência constante, José Falero demonstra um enorme talento para construir personagens e recriar o ambiente das vilas. A sua escrita tem autenticidade, ritmo e uma forte capacidade de observação, conseguindo transportar-nos para uma realidade que conhece por dentro.