Série: -
Autor: Patrick Ryan
Data de Leitura: 27/06/2026 ⮞ 10/07/2026
Classificação: ⭐⭐⭐
Sinopse
Uma cidade. Duas famílias. Um segredo que muda tudo.
No exuberante rescaldo da vitória dos Aliados na Europa, Cal Jenkins, um homem ferido não pela guerra, mas pela sua incapacidade de servir nela, vive um momento único e transformador de paixão com Margaret Salt, uma mulher determinada a deixar o passado para trás. Cal é casado com Becky, cujos dons espirituais ajudam os vivos a comunicar com os seus mortos, enquanto o marido de Margaret, Felix, está em serviço num navio de carga da Marinha, onde se acredita que esteja seguro - até um telegrama sugerir o contrário.
O que começa como uma transgressão passageira torna-se um segredo complexo que une irrevogavelmente os quatro de maneiras inesperadas. à medida que a pequena cidade do Ohio se reconstrói no pós-guerra, as famílias Jenkins e Salt permanecem na órbita uma da outra, e as consequências desse encontro antigo começam a emergir, reverberando na geração seguinte e obrigando-as a repensar quem julgavam ter sido até então, bem como o que o futuro lhes reservava.
Um romance épico sobre lealdade, sacrifício e perdão, fruto de um profundo conhecimento do espírito humano, que captura na plenitude o desejo universal de amor e bondade.
Minha review no GoodReads
3.5⭐
Os Dias, no original Buckeye, palavra que designa não só uma árvore típica do estado do Ohio, mas também a forma como os habitantes desse estado se identificam, é uma saga familiar e um típico "grande romance americano".
A história decorre maioritariamente na pequena cidade de Bonhomie, entre as décadas de 1920 e 1980, acompanhando a vida de quatro personagens cujos destinos acabam por se cruzar. Cal nasceu com uma perna mais curta do que a outra, condição que o impede de servir na guerra. Becky, sua mulher, afirma comunicar com os espíritos. Margaret cresceu num orfanato, marcada pela ausência de respostas sobre o abandono da mãe. Felix casa com Margaret, serve na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial, mas vive em conflito com a sua homossexualidade.
O romance dedica grande parte das suas páginas a estas quatro personagens. Apesar de compreender a importância das suas histórias, fiquei com a sensação de que a segunda geração acabou por ser sacrificada. Skip e Buckeye, cujas vidas são inevitavelmente moldadas pelas escolhas e pelos segredos dos pais, mereciam um desenvolvimento muito mais aprofundado.
Aliás, uma das partes de que mais gostei foi precisamente quando Buckeye surge já adulto, formado e independente. Também teria apreciado uma exploração mais profunda da Guerra do Vietname. O facto de Skip acabar por se alistar e combater, contra todas as expectativas, tinha potencial para ocupar um lugar muito mais relevante na história, mas acaba por ser tratado a correr.
senti que o livro dedica páginas em excesso às sessões espíritas de Becky, enquanto acontecimentos históricos importantes surgem quase como notas de rodapé. O equilíbrio entre a história pessoal das personagens e o contexto histórico nem sempre funciona.
No final, a sensação que fica é a de uma oportunidade parcialmente desaproveitada. Para um romance com pouco mais de 400 páginas, esperava uma conclusão mais desenvolvida e menos apressada, capaz de dar um encerramento à altura do percurso destas personagens e da ambição da obra.
Porque é que o tempo é uma coisa que nos deixa tão perdidos? Gastamo-lo. Guardamo-lo. Matamo-lo. Desperdiçamo-lo. Queixamo-nos de não ter o suficiente ou de ter demasiado nas mãos. Arrependemo-nos do que fizemos com ele. Oferecemo-lo. Queremos recuperá-lo. Dizemos «vezes sem conta» quando algo nos apoquenta e «está na hora» quando algo deve terminar. Felix via aquilo com toda a clareza: a única coisa que devíamos querer do tempo era mais tempo. A vida era tão simples quando reduzida ao essencial: mais tempo; mais ar; mais Duke Ellington.








