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[Opinião] As Sereias - Emilia Hart

                                   


    


Título: As Sereias

Série: -

Autor: Emilia Hart

Data de Leitura: 26/07/2026 ⮞ 02/08/2026

Classificação: 


Sinopse

2019: Lucy acorda no quarto do ex-namorado, a asfixiá-lo. Horrorizada, foge para casa da irmã, Jess, numa cidade costeira em Nova Gales do Sul, em busca de conforto e de uma explicação para os sonhos vívidos que precederam o ataque. No entanto, Jess está desaparecida. Enquanto aguarda o seu regresso, Lucy vai descobrindo estranhos rumores sobre a cidade: desaparecimentos de homens ao longo de várias décadas, um bebé abandonado numa gruta à beira-mar, sussurros de mulheres vindos do oceano. Os sonhos de Lucy parecem mais reais do que nunca…

1800: Mary e Eliza são condenadas ao exílio e deixam o seu lar na Irlanda, embarcando num navio de prisioneiros com destino à Austrália. À medida que o barco as afasta de tudo o que lhes é familiar, começam a reparar em mudanças bizarras nos próprios corpos.


Minha review no GoodReads


A mitologia irlandesa sempre despertou a minha curiosidade. Há qualquer coisa nas lendas das ilhas britânicas que me fascina. O mar, as brumas, os nevoeiros e a constante sensação de que existe um mundo antigo escondido para lá daquilo que conseguimos ver. Foi precisamente isso que encontrei em As Sereias.


A história acompanha Lucy, que chega a Comber Bay à procura da irmã. O que encontra é uma pequena vila costeira marcada por um antigo naufrágio, por histórias de homens que desaparecem no mar e por um misterioso canto que alguns juram ouvir vindo das águas. Em paralelo, viajamos até ao século XIX para acompanhar Mary e Eliza, duas irmãs irlandesas condenadas ao degredo na Austrália a bordo do Naiad. À medida que as diferentes linhas temporais avançam, os acontecimentos começam a revelar as ligações entre passado e presente.


Emilia Hart faz com que a realidade e o fantástico convivam de forma natural, sem que a mitologia pareça forçada ou em excesso. Gostei especialmente de encontrar referências como Tír fo Thuinn, Land under the Wave a "terra sob as ondas" da tradição irlandesa, que acrescentam profundidade à história e mostram o cuidado na pesquisa que está por trás do livro. As sereias não são apenas criaturas mitológicas, fazem parte de um universo onde o mar guarda memórias, segredos e uma força difícil de explicar.


Este é também um romance feminino. É um livro escrito por uma mulher, sobre mulheres e pensado, acima de tudo, para dar voz às suas experiências. Não significa que os homens não o devam ler, pelo contrário. As relações entre mães, filhas, irmãs e outras mulheres são o verdadeiro coração da história, mostrando como a força pode nascer da união, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.


Gostei da sororidade entre as mulheres a bordo do Naiad. Apesar das condições brutais em que viajavam, conseguem criar uma rede de apoio e protecção que acaba por ser um dos aspectos mais marcantes do romance.


As Sereias combina ficção histórica, mitologia irlandesa e um toque de realismo mágico numa história envolvente, onde o mistério anda sempre de mãos dadas com o mar.


Achievement Worlds Away

[Opinião] Amor & C.ª - Julian Barnes

                               



Título: Amor & C.ª

Série: Trois #1

Autor: Julian Barnes

Data de Leitura: 19/07/2026 ⮞ 30/07/2026

Classificação: 


Sinopse

Oliver, Stuart e Gillian. Oliver é o melhor amigo de Stuart e Stuart é o melhor amigo de Oliver. Gillian é namorada de Stuart, com quem virá a casar. Oliver e Stuart não podiam ser mais diferentes: o primeiro, extravagante, está convencido de que é uma luminária; o segundo é sóbrio, tímido e ligado ao «lado prático da vida». Gillian é bonita, inteligente, e ama Stuart; defende que falar de alguém ou de um assunto de forma exaustiva (como propõe o título original em inglês, Talking It Over) só é bom quando não somos o objeto em análise. Depois do casamento, uma explosão: Oliver descobre que está apaixonado por Gillian. Para contar esta história atribulada, cómica e errática, os três revezam-se na narração - com os seus pontos de vista, tiques e tópicos preferidos. Porém, o que começa como uma comédia de equívocos depressa desliza para uma exploração sombria e profunda dos pântanos da alma. Uma história interminável.


Minha review no GoodReads


É curioso como um livro onde acontece tão pouco consegue dar tanto que pensar. Quando comecei Amor & C.ª, pensei que ia ler mais um romance sobre um casamento, um adultério e uma amizade desfeita. No final, percebi que essa história era apenas o pretexto para Julian Barnes explorar a forma como cada pessoa interpreta e reconta a sua própria vida.


O essencial do romance resume-se em poucas linhas. O que faz deste livro uma leitura tão particular é precisamente aquilo que acontece depois. Ou melhor, aquilo que as personagens nos contam sobre o que aconteceu.


Não existe um narrador tradicional. Stu, Oliver, Gillian e, ocasionalmente, outras personagens dirigem-se directamente ao leitor. Falam connosco como se estivéssemos sentados à sua frente, confidenciando-nos a sua versão dos acontecimentos. O curioso é que todos falam, mas quase nunca parecem ouvir-se uns aos outros. Cada um constrói a sua própria narrativa, interpreta os mesmos episódios de forma diferente e tenta convencer-nos de que é quem melhor compreende a verdade.


Todos eles estão a tentar manipular o leitor. Barnes nunca nos deixa confortavelmente instalados ao lado de uma única personagem.


Embora a tradução portuguesa me tenha parecido muito competente, decidi continuar a leitura em audiobook, narrado em inglês britânico.

Julian Barnes escreve um humor muito próprio, feito de ironia, sarcasmo e pequenas subtilezas da linguagem que ganham outra vida quando são ouvidas na língua em que foram escritas. Não é uma crítica à tradução, mas há nuances que inevitavelmente se esbatem quando passam para outra língua. Foi sobretudo na voz de Oliver que isso se tornou evidente. O seu humor mordaz, a sua eloquência exagerada e aquele ar de intelectual convencido fizeram-me lembrar, por várias vezes, o humor britânico dos Monty Python.


Stu representa a estabilidade, a previsibilidade e a segurança. Oliver é brilhante, espirituoso e profundamente egocêntrico, uma personagem capaz de nos irritar e divertir na mesma página. Gillian permanece sempre envolta numa certa ambiguidade, tornando impossível classificá-la apenas como vítima ou culpada.


Mas, curiosamente, a personagem de quem mais gostei foi Mme. Rives. Talvez porque, ao contrário dos restantes, não sente necessidade de justificar constantemente quem é nem de conquistar a simpatia do leitor. Limita-se a observar, e essa serenidade foi uma verdadeira acalmia no meio de tanto ego.


Pouco a pouco, percebemos que o triângulo amoroso é apenas o ponto de partida para uma reflexão sobre as relações humanas. Sobre a forma como amamos, como recordamos e, sobretudo, como reescrevemos as nossas memórias para conseguirmos viver com elas.


Amor, etc. A proposição é simples. O mundo divide-se em duas categorias: os que acreditam que a finalidade, a função, o pedal dos graves e a melodia principal da vida é o amor, e que tudo o mais — tudo o mais — é um mero etc.; e os muitos, muitos infelizes que acreditam primeiro nos etc. da vida, e para quem o amor, por agradável que seja, não passa de agitação fugaz da juventude, prelúdio mecânico à tarefa de mudar a fraldinha do bebé, mas não algo de tão sólido, constante e seguro como, digamos, a decoração de interiores. É esta a única diferença que conta, entre as pessoas.


Barnes mostra-nos que não existe uma verdade absoluta quando falamos de relações humanas. Existem apenas diferentes perspectivas, diferentes memórias e diferentes formas de justificar as mesmas decisões.

No fim, percebemos que, na realidade, acontece muito pouco. São apenas três pessoas a falar sobre aquilo que lhes aconteceu. E, no entanto, é dessa conversa interminável que Barnes constrói um romance inteligente sobre o amor, a amizade, a memória e a forma como todos tentamos convencer os outros (e a nós próprios) de que a nossa versão da história é a verdadeira.

[Opinião] Anatomia de um Álibi - Ashley Elston

                            


 
          


Título: Anatomia de um Álibi

Série: -

Autor: Ashley Elston

Data de Leitura: 19/07/2026 ⮞ 25/07/2026

Classificação: 


Sinopse

Duas mulheres. Um marido assassinado. Um único álibi.


À primeira vista, Camille tem a vida perfeita: é casada com o carismático advogado Ben Bayliss e pertence a uma família rica do Louisiana. Contudo, nada é o que parece. Há vários anos que Camille acredita que o marido esconde segredos obscuros, mas ele controla todos os seus passos e não lhe deixa margem para investigar nada. Aubrey Price vive assombrada por uma noite terrível que mudou a sua vida há dez anos e está convencida de que Ben Bayliss sabe mais do que aparenta. Familizarizada com o crime desde criança, Aubrey sabe que há mais do que uma forma de chegar à verdade, e talvez tenha encontrado a melhor. As duas amigas traçam um plano simples: durante doze horas, Aubrey assumirá o lugar de Camille. Enquanto isso, Camille poderá vigiar o marido e descobrir o que ele realmente esconde. Mas, na manhã seguinte, Ben aparece morto. Agora, ambas precisam de um álibi irrefutável e apenas uma o tem. Basta um passo em falso para que tudo desmorone.


Minha review no GoodReads


Anatomia de um Álibi não começou da melhor forma comigo. Entre as mudanças constantes de perspectiva, saltos entre passado e presente e capítulos que acabam sempre precisamente quando a coisa começa a ficar interessante, passei boa parte do início a pensar: "Está bem... mas querem explicar-me o que se passa ou não?"


Felizmente, lá para meio do livro a história ganha finalmente rumo. As peças começam a encaixar, o ritmo acelera e dei por mim a gostar da leitura. A partir daí foi difícil pousá-lo.


Já o final... esse foi um enorme anticlímax. Não porque o mistério fique mal resolvido, mas em vez de uma vitória sobre o passado, nada muda verdadeiramente e o desfecho é apenas uma repetição desse mesmo passado.


Achievement Chart Toppers


[Opinião] A Corte dos Traidores - Robin Hobb

                                 


  


Título: A Corte dos Traidores

Série: The Farseer Trilogy #2 Part 2

Autor: Robin Hobb

Data de Leitura: 10/07/2026 ⮞ 21/07/2026

Classificação:


Sinopse

Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.

Mais uma vez, Fitz é chamado para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.

Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.



Minha review no GoodReads


Three down, twelve to go!


A Corte de Traidores – Parte 2 foi, até agora, o livro de que mais gostei.


Depois de feitas as apresentações das personagens, do Reino dos Seis Ducados, dos Forjadores, do Talento e da Manha, finalmente começamos a entrar nos bastidores da corte. E é aqui que a história começa verdadeiramente a ganhar outra dimensão.


Se os dois primeiros volumes foram sobretudo de construção e preparação, neste senti finalmente que todas essas peças começaram a mexer-se. A corte está cheia de jogos de poder, manipulações e interesses escondidos, e gostei muito da forma como Robin Hobb vai construindo toda essa tensão sem precisar de estar constantemente a recorrer à acção.


Fitz continua a ser o centro de tudo, cada vez mais preso entre o dever, a lealdade e aquilo que realmente quer para a sua vida. A sua posição continua a ser incrivelmente complicada. É necessário para o reino, mas nunca pertence verdadeiramente à corte. E quanto mais responsabilidades lhe são atribuídas, mais difícil parece ser encontrar um lugar que seja realmente seu.


Mas é nos bastidores da corte que este livro brilha. Há sempre qualquer coisa a acontecer, mesmo quando aparentemente nada está a acontecer. Conversas, alianças, desconfianças e pequenas decisões que parecem insignificantes, mas que nos deixam constantemente com a sensação de que há muito mais a acontecer por baixo da superfície.


O interesse foi constante e, tivesse eu mais horas de sono para passar acordada e terminar a leitura mais depressa, tê-lo-ia feito. Mesmo não querendo que acabasse.


Até agora, este foi sem dúvida o meu favorito da trilogia. E, pela primeira vez desde que comecei esta longa viagem de quinze volumes, fiquei com aquela sensação perigosa de que talvez vá mesmo querer continuar imediatamente para o próximo.

[DNF] Jantar Secreto - Raphael Montes

                                

Versão brasileira
Versão portuguesa



 
        

Título: Jantar Secreto

Série: -

Autor: Raphael Montes

Data de Leitura: 17/07/2026 ⮞ 19/07/2026

Classificação:


Sinopse

Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.


Minha review no GoodReads


DNF 24%


Desisti de Jantar Secreto, de Raphael Montes! E não, não foi por causa do tema da história. Temas desconfortáveis ou chocantes não são, por si só, motivo para eu abandonar uma leitura. O problema foi mesmo tudo o resto.


Achei a escrita muito fraca, as situações demasiado forçadas e inverosímeis e as personagens muito rasinhas. Os quatro protagonistas são apresentados como “amigos”, mas, sinceramente, nunca consegui acreditar muito nessa amizade. (Amigos entre aspas, porque amigos a sério não são assim.)


E a verdade é que, aos 24%, eu já não queria saber. Não queria saber o que faziam, o que lhes acontecia ou até onde a história iria. A premissa pode ser provocadora e chocante, mas, para mim, não basta uma sucessão de situações cada vez mais extremas para sustentar uma história. Preciso de acreditar nas personagens e de me interessar por elas. Aqui, não aconteceu nem uma coisa nem outra.


Curiosamente, esta não é a minha primeira experiência com o autor. Em 2022 li O Vilarejo e, apesar de ter gostado da forma como os contos estavam interligados e do toque final, achei tudo muito superficial e as personagens... péssimas. Quatro anos depois, a minha opinião sobre a escrita de Raphael Montes não parece ter mudado muito.


Por isso, fica por aqui a minha leitura. E acho que, para já, também fica por aqui a minha “ralação” com o autor.

[DNF] A livraria mágica das cerejeiras em flor - Takuya Asakura

                                


        


Título: A livraria mágica das cerejeiras em flor

Série: -

Autor: Takuya Asakura

Data de Leitura: 16/07/2026 ⮞ 19/07/2026

Classificação:


Sinopse

Bem-vindo à Sakura, a livraria das cerejeiras em flor, um refúgio para os amantes da leitura que só aparece durante a fugaz temporada de floração dessas belas árvores.

Escondido entre as delicadas pétalas de uma cerejeira excecional, encontrarás um santuário para quem carrega o peso do arrependimento e das mágoas do passado. Sakura, a misteriosa proprietária do estabelecimento, e Kobako, a sua sábia gata tricolor, aguardam com paciência a chegada de almas necessitadas de consolo e cura.

Cada visitante da livraria possui um livro que liga o seu passado ao seu presente e o guia rumo à compreensão e à aceitação. Rodeadas pelo encanto antíguo da loja e pelo reconfortante aroma do café acabado de fazer, Sakura e Kobako ajudam-nos a enfrentar a tristeza através do poder das histórias, permitindo-lhes seguir em frente com a esperança renovada.


Minha review no GoodReads


DNF 33%


Definitivamente este tipo de histórias não é para mim.


[Opinião] Folktales from the Arabian Peninsula: Tales of Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Saudi Arabia, The United Arab Emirates, and Yemen - Nadia Jameel Taibah

                                 


      

Título: Folktales from the Arabian Peninsula: Tales of Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Saudi Arabia, The United Arab Emirates, and Yemen

Série: -

Autor: Nadia Jameel Taibah

Data de Leitura: 07/05/2026 ⮞ 17/07/2026

Classificação: 


Sinopse

A unique compilation of stories, "Folktales from the Arabian Peninsula" includes tales from seven countries: Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Saudi Arabia, the United Arab Emirates, and Yemen.

Coauthored by a renowned folklorist and a professor of education who recalls some of these poignant tales from her own childhood, the book opens with a discussion of the Arabian Peninsula that introduces each country and discusses its terrain, peoples, and current situation to provide important background information. The engaging stories that follow will serve elementary, junior high, and high school librarians as well as public librarians, professional storytellers, and folklorists. The tales themselves--many of which have never been published in English language children's collections--are appropriate for readers grades five and up.


Minha review no GoodReads

Resolvi fazer um combo nesta volta ao mundo e, em vez de andar de país em país, aproveitei para juntar vários países da Península Arábica numa única leitura.


Arábia Saudita – leitura nº 102

Omã – leitura nº 103

Emirados Árabes Unidos – leitura nº 104

Iémen – leitura nº 105


A Península Arábica é composta por sete países, além de incluir partes da Jordânia e do Iraque, que não vou considerar para este desafio. Alguns destes países já tiveram o seu momento neste projecto de leitura, por isso deixo aqui as leituras já efectuadas:


Catar – leituras 44 e 99


Bahrein – leitura 62


Kuwait – leitura 96


Embora os contos não tenham sido particularmente marcantes, foi interessante conhecer um pouco do património oral da Península Arábica. É sempre enriquecedor descobrir histórias tradicionais de outras culturas e perceber as semelhanças e diferenças em relação aos contos que já conhecemos.


Entre os vários contos, encontrei duas versões da Cinderela, adaptadas à tradição oral da Península Arábica.


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FOLKTALES FROM QATAR


THE HELPFUL FISH


This is a Cinderella tale from Qatar.


One day, Fsaijrah’s stepmother told her, “Take these fish to the seashore and clean them there. Bring them back, and we will cook them for our dinner.”


Fsaijrah cut up all of the fish except one small one, but when she lifted her knife to cut that one, it spoke to her.


“Please don’t cut me up. Let me go, and I will make you rich.”


“Oh, I can’t let you go. My stepmother would be angry with me.” But she did let the fish slip out of her hands, and it dove into the sea.


When she went back home, her stepmother wanted to see the fish she had cleaned.


“Show me the fish.”


“One got away while I was cleaning the others.”


So the stepmother made her do without lunch and supper as a punishment.


When the family had finished eating, her stepmother sent her to the sea to throw away the bones. At the seashore, the little fish was waiting for her. He had prepared a beautiful food tray for her, with fish and Qatari clarified butter—the most delicious butter in the world.


A few days later, there was a drums party. The stepmother dressed her own daughter in beautiful clothes and took her to the party. But to Fsaijrah, she said, “There is plenty of work for you here. You stay home.”


But as soon as they had gone, the little fish appeared. He brought her a beautiful dress and diamond slippers, and sent her off to the party.


No one recognized the beautifully gowned girl as Fsaijrah, and she hurried home before the others could return. So they had no idea she had been at the drum party.


But she was in such a hurry to reach home that one of her slippers fell off and dropped into a well. She had to return without it.


The next day, the shaikh and his friends passed by the well, and he noticed the glittering shoe. He declared, “Whoever this shoe fits, I will marry.”


When the shoe was brought to Fsaijrah’s home, the stepmother’s daughter tried it on. But the shoe did not fit. But when Fsaijrah put the shoe on, of course it fit perfectly.


So Fsaijrah was engaged to be married to the shaikh.


Her stepmother said, “For her dowry, we want radish, pickled fish, and dates.” When they were delivered, the stepmother and her daughter said to Fsaijrah, “Now eat them.”


The little fish arrived and dressed her in the most beautiful dress of all, gave her jewelry, and put pearls and red coral on her stomach, which she brought out in the bridal chamber.


As for the daughter of her stepmother, luck was not her ally.



FOLKTALES FROM THE UNITED ARAB EMIRATES



THE FISHERMAN’S DAUGHTER


There once was a fisherman’s daughter who was being looked after by a cruel stepmother who had two daughters of her own. Of course, those daughters got all the good food and nicest clothes and did no work at all. The fisherman’s daughter had to do all the work for the household and was dressed only in the oldest of rags.

One day, the stepmother sent the girl to clean five fish. She took them down to the seashore and was cutting the fish up, when the last fish, which was still alive, started trembling and begged the girl, “Please don’t cut me up. Put me back in the water so that I may live. If you do that, I will come to help you when you need me. Just look for me here beside this rock.”

So the girl felt pity on the fish and tossed it back into the sea.

But when she reached home, her stepmother was furious. “I sent you to clean FIVE fish. You return with only FOUR. No supper for YOU tonight.”

The girl went back down to the sea, weeping, and sat beside the rock where she had tossed back the fish. Soon the fish itself came up. When he heard of her troubles, he brought up to her the most delicious foods imaginable, and she ate until she was full.

A few weeks later there was to be a wedding at the shaikh’s palace. Everyone was invited to attend the celebration. Of course, the fisherman’s daughter had to stay home and clean and cook and was not allowed to go to the wedding. But when she told her friend the fish about this, he came up with all sorts of beautiful clothes and jewels, and even a pair of golden slippers. And the fish gave her a piece of advice.

“When you enter the palace, be sure to pass by the barza where the shaikh’s son is resting. I would like for him to lay eyes on you.”

This is exactly what she did, and when the shaikh’s son saw her, he fell in love immediately. The shaikh’s son hurried out and followed the girl. But seeing herself pursued, she ran off home. However, her golden slippers dropped off just as she passed the water trough where the shaikh’s horses watered. When the shaikh’s son came back, after giving up on chasing her, he found those golden slippers.

The next day, the shaikh sent his servants to visit all the homes in the area where daughters could be found. They tried the slippers on every girl, but none of them were a fit. When they came to the fisherman’s house, the stepmother hid the girl in a tannur and had her own daughters brought out to try on the slippers. Of course, they did not fit.

“Is there no other girl in this house?” asked the shaikh’s men.

“None at all,” lied the stepmother.

But just then the cock started crowing, “My ugly aunts are on the bed, and my beautiful aunt is in the oven!” The cock just kept on crowing this and would not stop.

So the shaikh’s men searched the entire house, and there in the oven, they found the beautiful fisherman’s daughter. The slippers fit her perfectly.

So the fisherman’s daughter was taken to the shaikh’s son, and he was so happy that he married her immediately. And they lived in much happiness.