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[Lido] Jesus na Fogueira - Catherine Clément

                                    


  

Título: Jesus na Fogueira

Série: -

Autor: Catherine Clément

Data de Leitura: 2000-2010

Classificação: 


Sinopse

Um dia, numa cidade indiana, a narradora encontra um homem misterioso que decide contar-lhe a “verdadeira vida de Jesus”.

E se Cristo não tivesse morrido na cruz? Como conta a história mais conhecida de todos os tempos, sem que, logo à partida, desvendemos o seu fim?

Catherine Clément consegue-o de uma maneira magistral, construindo, através da ficção, uma verdade romanesca que utiliza finamente os Evangelhos para melhor os contornar. Pormenor sem ferir sensibilidades nem crenças – afirmando apenas que a literatura é um terreno de imaginação e liberdade.


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[Lido] O Último Encontro - Catherine Clément

                                     





Título: O Último Encontro

Série: -

Autor: Catherine Clément

Data de Leitura: 1990-1999

Classificação: 


Sinopse

Alemanha, 1975: duas mulheres já idosas encontram-se à cabeceira de um velho homem doente, depois de, durante cinquenta anos, terem lutado por um lugar no seu coração. Ele, o velho homem, é Martin Heidegger, o filósofo genial que, em determinado momento, não resistiu ao canto de sereia do nazismo.

As mulheres são Elfride — a esposa legítima, a mãe de família, a burguesa alemã — e Hannah Arendt, a "amante", a intelectual judia, a apátrida com coração de vento.

Como foi possível, no meio de uma tragédia que pôs a Europa a ferro e fogo e face às opções políticas do velho mestre, a história de amor — uma das mais belas histórias de amor deste século — entre Martin e Hannah?

Com este livro admirável, Catherine Clément regressa às duas fontes principais do seu talento romanesco: os amores interditos (como em A Senhora, Por Amor da Índia ou Valsa Inacabada) e a gesta filosófica transfigurada pela ficção (como em A Rameira do Diabo e A Viagem de Théo).


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[Lido] Por amor da Índia - Catherine Clément

                                   


  

Título: Por amor da Índia

Série: -

Autor: Catherine Clément

Data de Leitura: 1990-1999

Classificação: 


Sinopse

1947: o último vive-rei das Índias britâncias, Lord Mountbatten, sobe ao trono em Nova Deli; sua mulher, Lady Edwina, é uma das grandes damas da aristocracia inglesa; o pandita Nehru acaba de ser libertado da prisão — tornar-se-á em breve o primeiro-ministro da Índia independente.

Tudo parece opor Edwina e Nehru e, no entanto, entre o rebelde indiano e a lady inglesa desponta uma paixão impossível, que Lord Mountebatten, o marido, aceitará com nobreza. Decorrem os sangrentos acontecimentos que se seguiram à divisão das Índias em dois países, o Paquistão e a Índia: em poucas semanas, massacres religiosos e epidemias fazem mais de quinhentos mil mortos nas aldeias e nas estradas.

Só um velho homem de setenta e quatro anos compreende a iminência do desastre: o Mahatma Gandhi, que morrerá assassinado depois de ter apaziguado as guerras religiosas no seu país, mas sem ter podido impedir a divisão das Índias. Alguns meses mais tarde, os Mountbatten regressam a Inglaterra. Porém, o amor entre Edwina e Nehru continua: durante doze anos escrever-se-ão todas as noites e viverão juntos um mês por ano. Até à morte de Edwina.

Esta incrível história, lendária na Índia de hoje, faz entrar Nehru e Edwina — casal mítico no coração de uma epopeia contemporânea — no limbo magnífico dos amantes separados.


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[Lido] A Senhora - Catherine Clément

                                 


  

Título: A Senhora

Série: -

Autor: Catherine Clément

Data de Leitura: 1990-1999

Classificação: 


Sinopse

"O nosso verdadeiro nome comum era Nasi, o que significa príncipe. Infelizmente, desde aquela época, já não éramos príncipes, mas sim proscritos."


Perseguida pela Inquisição, Beatriz de Luna, ou Gracia Nasi, nascida em Lisboa em 1510, é a mulher judia, jovem viúva de um banqueiro português (Francisco Mendes), que, herdeira de uma poderosa fortuna, vai pôr em marcha um dos mais impressionantes episódios da Europa seiscentista.

Enfrentando o ódio dos Habsburgos e dos Papas, que a perseguem até à Palestina, ela é a força que irá proteger os cristãos-novos espoliados da Península Ibérica, à cabeça de um império comercial que, tal como o dos Fugger ou o dos Médicis, vergava a cabeça a reis, embaixadores e aristocratas.

Expulsa sucessivamente de Lisboa, Antuérpia, Veneza e Ferrara (onde manda imprimir a primeira Bíblia traduzida para ladino — a célebre Bíblia de Ferrara), A Senhora personifica o êxodo singular dos Marranos, no contexto dos conflitos políticos, comerciais e religiosos da era humanista, num teatro onde se encontram as três grandes religiões do Livro, bem como o Oriente e o Ocidente.

Uma das obras mais vendidas em França durante 1992, A Senhora é um notável romance histórico onde, tal como escreveu o Magazine Littéraire, "o mundo mediterrânico ressuscita com a luz, os seus perfumes, o esplendor e a desgraça dos marranos".


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[Lido] A Mãe - Maxim Gorky

                                   


  


Título: A Mãe

Série: -

Autor: Maxim Gorky

Data de Leitura: 1980-1989

Classificação: 


Sinopse

Traçando a vida de uma mulher da classe trabalhadora na Rússia rural, nas vésperas da Revolução de 1905, A Mãe evoca, de forma poderosa, a crueldade, o absurdo e a amargura de uma vida sob o regime opressivo da Rússia czarista.

Numa cidade fabril anónima, uma mãe de meia-idade pensa que, depois da morte do marido abusivo, terá de encarar uma vida marcada por um trabalho árduo e enfadonho. No entanto, começa gradualmente a ter consciência da presença do filho, um jovem reservado, que passa as noites a ler livros sobre filosofia e economia.

À medida que os dois se aproximam, ele deixa a mãe entrar no seu mundo secreto, no qual os textos, aparentemente inofensivos, representam novas ideias radicais, cuja difusão faz com que Pável esteja em perigo constante. A mãe adere a um grupo socialista revolucionário e, embora fosse radicalizada pelas conversas de Pável e dos seus amigos, dá-lhes, ao mesmo tempo, uma perspetiva humana que valoriza a bondade, a piedade e o amor.

Nesta obra, os objetivos políticos entrelaçam-se com passagens de beleza lírica e personagens vivas e memoráveis. Um romance comovente que se tornou um clássico da literatura mundial.


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[Opinião] Bolo Negro - Charmaine Wilkerson

                                   



Título: Bolo Negro

Série: -

Autor: Charmaine Wilkerson

Data de Leitura: 19/02/2026 ⮞ 01/03/2026

Classificação: 


Sinopse

Os irmãos Byron e Benedetta não se veem há oito anos, mas a súbita morte da mãe obriga-os sentarem-se finalmente à mesma mesa. Eleanor deixou-lhes um bolo no congelador com a críptica instrução de que o deverão partilhar «na altura certa».

Para além do bolo, uma homenagem às origens caribenhas da família, há ainda uma longa gravação áudio que abre com uma revelação impensável: Byron e Benedetta têm uma irmã.

Este, porém, é apenas o primeiro dos muitos segredos que a mãe quer agora, depois de morta, revelar, na esperança de emendar alguns erros do passado.


Nesta estreia surpreendentemente madura, Charmaine Wilkerson explora com fina sensibilidade as questões difíceis da identidade pessoal e social, numa saga familiar intensa, que cruza o tempo e a geografia, fazendo-nos acreditar que é sempre possível regressar a casa.



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3,5 


Há livros que nos conquistam pela arquitectura perfeita, outros conquistam-nos pelo coração. Bolo Negro pertence claramente ao segundo grupo.

O que mais me tocou nesta leitura foi a força silenciosa da Covey, a sua capacidade de resistir, reinventar-se e continuar a amar, mesmo quando a vida lhe exige decisões duras e pouco convencionais. Ao longo da história, percebemos que cada escolha nasce do amor, o amor juvenil e arrebatado por Gibbs, o amor protector pelos dois filhos, B. e B., e o amor persistente pela filha perdida. É esse fio afectivo que une as diferentes fases da sua vida e que dá verdadeira densidade à história.

Gostei particularmente da forma como a amizade com Etta Pringle é construída. Não é ruidosa, não precisa de grandes declarações, é uma presença constante, firme, quase como a água que surge como elemento simbólico ao longo do livro. A água é origem, fuga, memória e ligação. Funciona como um ponto comum entre passado e presente, entre identidade e reinvenção.

É uma história sobre o que fazemos por quem amamos, mesmo quando isso implica silêncio, distância ou incompreensão.

Achei que o excesso de coincidências retira alguma veracidade à narrativa.

[Opinião] A Vela Sagrada - Abdulaziz Al-Mahmoud

                                   


  


Título: A Vela Sagrada

Série: -

Autor: Abdulaziz Al-Mahmoud

Data de Leitura: 01/02/2026 ⮞ 28/02/2026

Classificação: 


Sinopse

Pode o amor mudar o curso da História? Bin Rahhal, o braço-direito do vizir do Bahrein, era um homem particularmente atraente – e o seu olhar, misterioso e intenso, parecia mergulhar na própria alma. Halima era uma jovem mulher de uma beleza excecional. Alta e esbelta, de olhos brilhantes e longos cabelos negros, uma princesa de Ormuz. Quando os olhos de ambos se cruzaram, Bin Rahhal ficou enfeitiçado. O rosto da princesa gravou-se na sua mente, e desde então ela nunca mais lhe saiu do pensamento. Mas Halima, ponderada, tentou resistir àquele estranho, de outras terras. Na Arábia vivem-se tempos de incerteza. Cada vez mais, ouvem-se os rumores de avistamentos de navios com as velas brancas com a Cruz de Cristo. A chegada dos portugueses ao Oriente, que põe em evidência as diferenças culturais, ameaça pôr fim ao modo de vida árabe e mudará de forma drástica a história de amor entre Bin Rahhal e Halima.


Minha review no GoodReads


Enquanto fechava as últimas páginas de A Vela Sagrada, sobre a presença portuguesa no Golfo no século XVI, os noticiários davam conta de um novo episódio de tensão no Médio Oriente, com ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irão, e retaliações que atingiram pontos estratégicos do Golfo, como o Catar, o Dubai, a Arábia Saudita, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.


Sem qualquer intenção de fazer paralelismos políticos, não deixa de ser um curioso acaso terminar um romance sobre disputas de rotas comerciais, hegemonias e equilíbrios frágeis naquela região precisamente num momento em que o Golfo voltava ao centro das notícias mundiais. A História muda de protagonistas e de tecnologias, mas raramente abandona por completo os mesmos palcos.


Em A Vela Sagrada, de Abdulaziz Al-Mahmoud, encontramos uma proposta que, à partida, é particularmente interessante para um leitor português: revisitar a expansão portuguesa no Golfo Pérsico a partir do “outro lado da vela”. Não a epopeia marítima, não o heroísmo camoniano, mas o olhar daqueles que viram chegar as velas brancas como sinal de invasão, ruptura e ameaça.




O romance situa-se no momento da conquista portuguesa de Ormuz e das tensões políticas entre reinos locais, líderes militares e potências emergentes. Há guerra, diplomacia, traição, amores cruzados e jogos de poder. Há História — e muita.


O romance apresenta acontecimentos, contextualiza-os, encadeia-os com clareza. Nota-se investigação, cuidado documental, vontade de reconstituir um período complexo. Mas é nas personagens que reside alguma fragilidade. Sejam árabes ou portuguesas, parecem muitas vezes cumprir apenas uma função histórica. A narrativa privilegia os reinantes, os estrategas, os jogos diplomáticos; ficamos na esfera do poder. Falta o povo, falta o impacto íntimo da invasão, falta a transformação profunda da sociedade no contacto com outras culturas.


Para um leitor português, há ainda um elemento curioso, a expectativa de um confronto épico, ainda que invertido. Se não há epopeia glorificadora, poderia haver grandeza trágica, ambiguidade moral intensa, choque civilizacional dramatizado. Porém, o tom mantém-se contido, quase cronístico. Faltou tempestade à vela. A vela está lá. O vento, nem sempre.


Catar