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[Opinião] Verão dos infiéis - Dinah Silveira de Queiroz

                    


        

Título: Verão dos infiéis

Série: -

Autor: Dinah Silveira de Queiroz

Data de Leitura: 07/06/2025 ⮞ 01/07/2025

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Em Verão dos infiéis, romance ambientado no Rio de Janeiro no final da década de 1960, Dinah Silveira de Queiroz narra um fim de semana chuvoso na vida de uma família de classe média abalada por questões psicológicas, religiosas e políticas num dos períodos mais turbulentos da história do Brasil.


Minha review no GoodReads


Dinah Silveira de Queiroz (1911–1982) foi uma destacada escritora brasileira — romancista, contista, cronista e pioneira da ficção científica no país. Estreou-se com Floradas na Serra e foi reconhecida com vários prémios literários. Viveu em várias cidades do mundo e foi em Roma que escreveu Verão dos Infiéis, inspirado num discurso do Papa Paulo VI na ONU, em 1965. Em 1980, tornou-se a segunda mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras, coroando uma carreira sólida, versátil e profundamente ligada à cultura brasileira.


Verão dos Infiéis estrutura-se entre duas tragédias: logo no início, sabemos do suicídio de um homem

delicado demais... para viver num mundo de grosseria. Era um príncipe de outros tempos escondido, parece, no meio da gente
que deixa para trás a mulher, Valentina, e os três filhos pequenos.

Esta primeira tragédia marca profundamente Valentina, que vive um luto interminável, recorrendo à benzedrina — uma anfetamina usada, na altura, para combater a depressão.

A segunda tragédia encerra o romance: após chuvas intensas, dá-se um desabamento que deixa um cenário de ruínas, morte e lama.

A história decorre ao longo de três dias, em Copacabana, e é nesse curto espaço de tempo que conhecemos a família de Valentina.

Sabemos que o período é o da ditadura, mas Dinah opta por, em vez de nos mostrar directamente a repressão política e a falta de liberdade, evidenciar uma certa alienação e apatia vividas pelas personagens.

Dinah consegue fazer uma verdadeira radiografia social e política da época, mostrando as tensões e desigualdades sociais, o papel da religião, a repressão, os preconceitos e todo o impacto que esses elementos têm na realidade brasileira.

É um livro interessante e bem escrito - a escrita de Dinah é leve, envolvente e cheia de sensibilidade - mas senti que faltou algo às personagens que me permitisse criar uma certa empatia com elas.

[Opinião] A muralha - Dinah Silveira de Queiroz

   



Título: A Muralha

Série: -

Autor: Dinah Silveira de Queiroz

Data de Leitura: 16/05/2022 ⮞ 24/05/2022

Classificação: ⭐⭐⭐⭐


Sinopse

A Muralha narra a bravura, a violência, as paixões, intrigas e ódios dos primeiros desbravadores do Brasil. A paisagem e os costumes, a família colonial, as lutas dos homens na selva e a busca do ouro são recriados neste livro, marcado por personagens fortes como Dom Braz, Isabel, Tiago, Mãe Cândida, Cristina, Margarida e Aimbé.

A Muralha é um romance publicado no Brasil por Diná Silveira de Queirós em 1954, em comemoração aos 400 anos da cidade de São Paulo. Foi escrito originalmente em capítulos que iam sendo publicados na revista O Cruzeiro. Logo depois, apareceu também em livro, tornando-se um dos grandes sucessos da autora. O romance foi traduzido para o japonês—visando a colônia japonesa no Brasil e depois em Tóquio para o público japonês—e para o coreano, na Coréia do Sul e foi quadrinizado em 1957 no Brasil. Foi adaptado para a televisão por três vezes: em 1961, na TV Tupi; em 1968, na TV Excelsior e em 2000, na TV Globo.



Minha review no GoodReads


Gostei muito da força das personagens femininas. São mulheres fortes, ousadas, que demonstram garra ao lidar com a guerra, com as propriedades que têm de administrar na ausência dos homens, a devastação, o patriarcalismo e a busca por ouro.


— Com homens assim, assim loucos e teimosos, e mulheres tão atrevidas e obstinadas... sabes o que me veio agora à cabeça? Que esta sujeira... — e ela quase cuspiu de raiva naquele desafio à grandeza de Deus, mas se dobrou, cativa da imensidão — ... bem pode tornar-se, um dia, uma grande cidade.


[Opinião] Floradas na Serra - Dinah Silveira de Queiroz

 


Título: Floradas na Serra

Série: -

Autor: Dinah Silveira de Queiroz

Data de Leitura: 27/03/2023 ⮞ 01/04/2023

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Floradas na serra tem como linha de desenvolvimento a estadia de Elza, uma jovem moça, em idade de casar-se, que escondida de seu noivo e com apoio de sua família, viaja e permanece durante longa temporada em Campos do Jordão com o objetivo de tratar sua doença, de nome nunca pronunciado.

O livro explora a relação de Elza com as pessoas com que conviveu, relações essas coloridas de acordo com o estado de sua saúde, mostrando desde a solidão e despeito que sentiu quando chegou em Campos e se deparou com doentes em muito melhor estado do que ela, bem como o que sentiu quando provocou esses mesmos sentimentos em outras pessoas.

O livro ainda é precioso quando descreve os vários destinos daqueles milhares de pessoas que corriam para aquela região na busca de salvarem suas vidas. Aqueles que possuíam recursos ficavam em pousadas exclusivas para o tratamento, com todo o conforto, outros tinham que ficar nos sanatórios, dividindo enfermarias e outros ainda que nem disso podiam dispor dividiam a condição de miséria dos nativos mais pobres, que em troca de qualquer contribuição financeira expunham a saúde de toda a família ao receber tais hospedes. Todos buscavam salvar a própria vida.


Minha review no GoodReads

Floradas na Serra, publicado em 1939, é o primeiro romance de Dinah Silveira de Queiroz.


Tal como Hans Castorp da A Montanha Mágica e Armando d’A Febre das Almas Sensíveis Elza hospeda-se na Pensão de Dona Sofia em Abernéssia, na Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão.


Em todos estes locais internavam-se homens e mulheres tísicos, maneira como naquela altura se chamavam os doentes com tuberculose.

Floradas na Serra tem como personagem Elza, uma rapariga que tem uma enorme vergonha da sua doença e por isso esconde da família e do noivo a sua condição.

— Mamãe, quero pedir uma coisa...

— Já me pediu mil vezes. Eu já sei, fique tranquila. O Osvaldo não saberá.

Depois de Elza ser internada para tratar da enfermidade acompanhamos a sua amizade com Lucília, Belinha e Letícia e o seu relacionamento com Flávio, outro enfermo.

A ligação de Elza e Lucília é a mais interessante. Elas são o oposto uma da outra, e as suas posturas perante a doença são totalmente diferentes. Enquanto Elza sofre com a doença, Lucília nega o seu diagnóstico.

É através da paixoneta com Flávio que conhecemos um pouco da realidade dos sanatórios masculinos.

As personagens são jovens que lidam com o amadurecimento, com o amor e com as escolhas para o futuro, mesmo que este seja incerto devido à doença.


— Os amores aqui são assim todos... Duram pouco. Muitos porque começam perto da morte, outros porque aquele que se cura esquece o outro que fica...


Gostei da escrita, da história, das personagens, do final em aberto, mas faltou força ao romance.


Fun fact 👉🏻 O nome Abernéssia nasceu como homenagem a duas cidades escocesas:

Aberdeen e Inverness 🙄