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[Opinião] Reef | Mar profundo - Romesh Gunesekera

                                


 
        

Título: Reef | Mar profundo

Série: -

Autor: Romesh Gunesekera

Data de Leitura: 18/10/2026 ⮞ 29/10/2026

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

A história de Mar profundo começa em Londres, quando o personagem-narrador Triton, já adulto, está com seu Volkswagen vermelho em um posto de gasolina. Na tentativa de pagar pelo combustível, ele se depara com uma porta fechada. Atrás do vidro, alguém o fita e Triton pensa: “quase que um reflexo de mim mesmo”. Depois de confirmar, descobre que o outro também é do Sri Lanka. Em vão, tenta se comunicar em sinhala, uma das línguas faladas na ilha, ao que o outro responde: “tâmil, tâmil”, a língua falada pela minoria hindu. Esta introdução é seguida de um breve diálogo, que faz Triton lembrar que está na Inglaterra há mais de vinte anos. Este é o ponto de partida para ele recordar suas origens, em um passado tão distante quanto sua longínqua pátria.


Minha review no GoodReads


O Sri Lanka, antigo Ceilão, é uma ilha no oceano Índico que passou pelas mãos de portugueses, holandeses e ingleses, tendo conquistado a independência em 1948. Mas a saída dos britânicos não resolveu os problemas do país. As tensões entre a maioria cingalesa e a minoria tâmil foram-se agravando, até que, em 1983, começou uma guerra civil que durou até 2009.

É neste ambiente de crescente instabilidade que se desenrola Reef / Mar profundo.

 

A história começa em Londres, onde Triton, agora proprietário de um restaurante, recorda a vida que deixou para trás. Aos onze anos, foi trabalhar como criado para a casa de Mister Salgado, um homem abastado e apaixonado pela biologia marinha. Triton é um elfo do lar, limpa, arruma, serve à mesa e aprende a antecipar as necessidades do patrão. Mas é na cozinha que descobre o seu talento. Entre tachos, receitas e jantares cada vez mais elaborados, transforma uma tarefa doméstica numa verdadeira vocação. É graças ao que aprende nessa casa que acaba por construir a sua vida profissional em Londres.

 

Enquanto Triton cresce, o mundo à sua volta começa a desmoronar-se. A violência política e étnica invade a tranquilidade da casa, e a partida para Inglaterra torna-se inevitável.

Mas há outra preocupação que atravessa o romance, a destruição dos recifes de coral. Mister Salgado sonha transformar uma baía num santuário marinho, conciliando a preservação da natureza, a investigação científica e, claro, a gastronomia. Um projecto que nunca chega a concretizar.

 

Há uma passagem particularmente bonita em que Triton descreve a exuberância do recife, cheio de criaturas e cores, mas também marcado pela luta constante pela sobrevivência.

 

The one time I did swim out to Mister Salgado’s real reef, back home, I was frightened by its exuberance. The shallow water seethed with creatures. Flickering eyes, whirling tails, fish of a hundred colours darting and digging, sea snakes, sea-slugs, tentacles sprouting and grasping everywhere. It was a jungle of writhing shapes, magnified and distorted, growing at every move, looming out of the unknown, startling in its hidden brilliance. Suspended in the most primal of sensations, I slowly began to see that everything was perpetually devouring its surroundings. I swam into a sea of sound; my hoarse breathing suddenly punctuated by clicking and clattering, the crunching of fish feeding on the white tips of golden staghorn. My own fingertips seemed to whiten before me as trigger-fish, angel-fish, tiger-fish, tetrons, electrons and sandstone puffer-fish swirled around me, ever hungry.

 

O lamento de Salgado perante aquilo que poderia ter feito, mas não fez, acaba por ter um significado que vai muito além do ambiente.

 

Mister Salgado shook his head. ‘I should have done something of my own with that bay. I used to think that in a month or two, the next year, I would have a chance to turn the whole bay into a sanctuary. A marine park. I used to plan it in my head: how I’d build a jetty, a safe marina for little blue glass-bottomed boats, some outriggers with red sails, and then a sort of floating restaurant at one end. You could have produced your finest chilli crab there, you know, and the best stuffed sea-cucumbers. Just think of it: a row of silver tureens with red crab-claws in black bean sauce, yellow rice and squid in red wine, a roasted red snapper as big as your arm, shark fin and fried seaweed. It would have been a temple to your gastronomic god, no? I thought of it like a ring, a circular platform with the sea in the middle. We could have farmed for the table and nurtured rare breeds for the wild. A centre to study our prehistory. We could have shown the world something then, something really fabulous. What a waste.

 

Gostei, mas não me deslumbrou! É um romance bonito, com uma preocupação ambiental pertinente e uma história de crescimento pessoal interessante, mas que, para mim, ficou aquém do que poderia ter sido.

 


Sri Lanka

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