Série: -
Autor: Matthew Perry
Data de Leitura: 14/11/2025 ⮞ 09/01/2026
Classificação: -
Sinopse
Numa história extraordinária que só ele poderia contar - e da forma sentida, hilariante e calorosamente familiar que só o ator poderia escrever - Matthew Perry expõe a família fraturada que o criou (e que também o deixou entregue a si mesmo), o desejo de reconhecimento que o levou à fama e o vazio dentro de si, que não podia ser preenchido nem mesmo pela realização dos seus maiores sonhos. Mas também fala sobre a paz que encontrou na sobriedade e como se sentiu em relação à omnipresença de Friends, partilhando histórias sobre os seus colegas de elenco e outras estrelas que conheceu ao longo do caminho. Com franqueza, autoconsciência e com o seu humor caraterístico, Perry descreve vividamente a sua batalha ao longo da vida contra a dependência e o que a alimentou, apesar de, aparentemente, ter tudo.
Matthew Perry foi um ator, produtor-executivo e dramaturgo canadiano-americano, mundialmente conhecido pelo papel de Chandler desempenhado na série Friends.
A estrela de Friends leva-nos aos bastidores da sitcom de sucesso e à sua luta contra a dependência neste livro de memórias.
«Olá, o meu nome é Matthew, mas talvez me conheçam por outro nome. Os meus amigos chamam-me Matty. E eu devia estar morto.»
É assim que começa a fascinante história do aclamado ator Matthew Perry, que nos acompanha na sua viagem desde a ambição de infância até à fama, passando pelo vício e pela recuperação após um susto de saúde que pôs em risco a sua vida. Antes das suas frequentes idas ao hospital e das passagens pela reabilitação, existia Matthew, de cinco anos, que viajava de Montreal para Los Angeles, alternando entre os seus pais separados; Matthew, de catorze anos, que era uma estrela do ténis no ranking nacional do Canadá; Matthew, de vinte e quatro anos, que conseguiu um cobiçado papel como membro do elenco principal no conhecido episódio-piloto, então chamado Friends Like Us...e muito mais.
Friends, Amantes e Aquela Coisa Terrível é um livro de memórias inesquecível, simultaneamente íntimo e revelador - bem como uma mão estendida a qualquer pessoa que esteja a lutar pela sobriedade. Incrivelmente honesto, comovente e também divertido, este é o livro pelo qual todos os seus fãs têm estado à espera.
Minha review no GoodReads
Embora tenha o livro em português, achei que a melhor opção seria ouvir o audiobook, narrado pelo próprio. Só assim faria sentido.
Aproveitei os momentos em que ponho as minhas asas de fada do lar e fui ouvindo o que o Matthew tinha para dizer.
Saber que Perry morreu pouco tempo depois da publicação do livro torna tudo isto ainda mais triste.
É um testemunho devastador de alguém que nunca conseguiu sair do centro da própria dor.
Friends é uma das séries mais icónicas que passaram na televisão.
Monica Geller. Rachel Green. Phoebe Buffay. Joey Tribbiani. Ross Geller. Chandler Bing.
Todos os conhecemos. Conhecemos as suas qualidades e os seus defeitos, os melhores e os piores momentos e, mais importante do que tudo, sabemos que estarão sempre lá uns para os outros.
Chandler Bing é o tipo que usa o humor como mecanismo de defesa, humor como escudo, ironia como forma de sobrevivência. O Chandler sofre, mas sabe que sofre; erra, mas aprende; tem medo do compromisso, mas cresce; usa o sarcasmo, mas não se esconde completamente atrás dele. E, segundo o actor que o interpretou, Matthew Perry, (…) eu era o Chandler (…).
O Matthew Perry não era o Chandler. O Chandler era aquilo que o Matthew Perry conseguia representar, mas não viver.
Matthew Perry cresceu entre o Canadá e os Estados Unidos, filho de pais separados. O sucesso chegou cedo e Friends transformou-o numa estrela mundial ainda na casa dos vinte anos, com dinheiro, reconhecimento e uma carreira que muitos descreveriam como “de sonho”.
O livro é marcado por um tom profundamente sombrio. Perry relata, com detalhe e sem filtros, o consumo de substâncias, as idas e vindas por clínicas de reabilitação, os danos físicos e emocionais e as sucessivas tentativas falhadas de controlo. Tudo me pareceu muito circular: os acontecimentos repetem-se, os cenários mudam, mas a lógica mantém-se.
Não fiquei com a sensação de que tenha havido uma vontade verdadeiramente sustentada de mudar. O livro soa mais a uma explicação de tudo o que lhe foi acontecendo ao longo da vida do que a um exercício de interrogação ou de responsabilidade pessoal. A culpa recai quase sempre sobre a infância, o meio, a fama ou as circunstâncias.
E, visto de fora, é difícil ignorar o contexto de privilégio em que toda esta história se desenrola: há dinheiro, acesso a cuidados médicos de primeira linha, uma profissão que amava, família e amigos, mas uma aparente incapacidade de querer mudar de facto.
Também não gostei do tom arrogante com que fala do meio onde trabalhou (era desnecessário o insulto a Keanu Reeves) e dos colegas de Friends. Incomodou-me a forma como se gabou de ser um garanhão que “comia” todas as mulheres de Los Angeles, e ainda mais o facto de ter exposto o nome de algumas delas.
O retrato que fica é o de um homem com um grande complexo, e um ego grande.
Sem entrar em juízos morais fáceis, há ali uma sensação constante de imobilidade emocional. É difícil não sentir que ele não aproveitou a vida. Não por falta de oportunidades, mas por uma dependência que se tornou identidade.
-
