Autor: Leonardo Padura
Data de Leitura: 18/12/2025 ⮞ 11/01/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
O dia começa mal para Adela, jovem nova-iorquina de ascendência cubana, ao receber um telefonema da mãe. Há mais de um ano que as duas estão zangadas, porque não só Adela se mudou para Miami, como vive com Marcos, um jovem havanês recém-chegado aos Estados Unidos, por quem se perdeu de amores e que a mãe rejeita pelas suas origens. Como se isso não bastasse, nesse dia Marcos mostra a Adela uma fotografia sua em criança com o grupo de amigos dos pais, autodenominado o Clã. E quando, entre aqueles rostos, Adela reconhece um que lhe é particularmente familiar, o seu mundo ameaça ruir.
Como poeira ao vento é a história de um grupo de amigos que sobreviveu a um destino de exílio e dispersão em Barcelona, no extremo Noroeste dos Estados Unidos, em Madrid, em Porto Rico, em Buenos Aires… Que lhes fez a vida, a eles que se amavam tanto? Que aconteceu com os que partiram e com os que decidiram ficar? Como é que o tempo passou por eles? Tornarão a uni-los o magnetismo do sentimento de pertença e a força dos afetos? Ou serão as suas vidas como poeira ao vento?
Minha review no GoodReads
E a felicidade, quanto dura a felicidade?
Como Poeira ao Vento é um romance intenso que nos dá a conhecer a vida de um grupo de amigos cubanos, o “Clã”, desde os tempos de liceu até à vida adulta.
Em 1990, após a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, Cuba está à beira do colapso, e uma fotografia tirada numa festa de aniversário e dois acontecimentos perturbadores, um suicídio e um desaparecimento inexplicável, tornam-se o ponto de partida de uma história que se estende até 2016.
O romance avança como peças de um puzzle, memórias e recuos no tempo. Cada capítulo apresenta-nos uma vida, uma escolha, uma perda. Há amizades terminadas, fidelidades impossíveis, amores que resistem à distância e ilusões que se desfazem lentamente. No centro de tudo está Cuba. Cuba como pátria, ferida, obsessão e ausência. Cuba um lugar que se renega sem nunca ser verdadeiramente abandonado.
A narrativa acompanha as suas escolhas, os desgostos e as memórias de uma juventude marcada por amizade, sonhos e rupturas históricas.
Gostei da forma subtil como integra a realidade económica e social cubana. Sem doutrinamento, Padura mostra as carências, as restrições, a dualidade monetária e o fosso entre o discurso oficial e a vida quotidiana, e ajuda-nos a perceber tanto as razões da partida como as de quem ficou.
As personagens são ricas, complexas e humanas. Cada uma tem a sua história, carregada de feridas e conflitos íntimos. Bernardo, preso entre amores e vícios. Elisa, manipuladora e enigmática. Horacio, dividido entre exílio e destino. Irving, cúmplice das vidas dos outros. Clara, centro de gravidade do Clã, cuja casa é o palco das reuniões, celebrações e segredos do grupo.
Leonardo Padura escreve com elegância, com uma prosa fluida, rica e que em nenhum momento se torna pesada. Foi uma agradável surpresa!






