Série: -
Autor: Edith Wharton
Data de Leitura: 02/08/2026 ⮞ 09/08/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
Edith Wharton’s controversial novel Summer is the story of Charity Royall, an ambitious young woman trapped in a stifling small town by both her gender and her social class. When a visiting stranger arrives in town, Charity is awakened to a wider world of possibilities and to the realities that constrain her.
Published in 1917, the novel was both attacked and ignored for openly acknowledging female sexuality and its many inequities. Later generations of critics have come to regard the book as an important turning point in Wharton’s work and a spiritual companion to her classic novel, Ethan Frome.
Minha review no GoodReads
Acabei Summer com sentimentos bastante contraditórios. Gostei da história, gostei da escrita e fiquei particularmente interessada na forma como Edith Wharton retrata a vida de uma jovem mulher numa sociedade em que as escolhas disponíveis para ela são, afinal, muito mais limitadas do que parecem.
How I hate everything!” she murmured.
Mas também passei uma boa parte do livro com vontade de abanar a Charity e dizer-lhe: “Ai Charity, pensa um bocadinho antes de fazeres isso!”
Charity Royall vive em North Dormer, uma pequena localidade da Nova Inglaterra onde parece não haver grande coisa para uma jovem inquieta fazer.
She stared. “Old houses? Everything’s old in North Dormer, isn’t it? The folks are, anyhow.”
Trabalha na biblioteca local, um emprego que não leva propriamente a sério, e sonha em conseguir dinheiro suficiente para um dia deixar a cidade. Foi adoptada ainda bebé pelo advogado Royall, uma das figuras mais importantes da comunidade, mas a relação entre os dois é tudo menos afectuosa.
E depois aparece Lucius Harney, um jovem arquitecto que está de passagem para estudar os edifícios da região. Para Charity, ele representa muito mais do que um homem por quem se apaixona. Representa um mundo diferente daquele em que vive. Mais culto, mais sofisticado, mais livre. E Charity agarra-se a essa possibilidade com unhas e dentes.
Só que Charity é uma personagem difícil. É fascinante, mas também é uma criatura bastante chata. É amuada, impulsiva, ressentida e, muitas vezes, parece não saber muito bem o que quer, só não quer aquela vida. Consigo ter empatia por ela e, ao mesmo tempo, ficar “p. da vida” com as decisões que toma. Talvez seja essa contradição que a torna tão interessante.
Lucius também não me conquistou. É o típico homem que se apaixona enquanto a paixão não lhe custa nada. Encantador, culto e sedutor, mas egoísta e incapaz de assumir as consequências das suas escolhas. Para Charity, ele representa liberdade; para ele, Charity acaba por ser uma aventura que não põe em causa o seu futuro.
E depois temos o Mr. Royall. Mr. Royall também me encanitou. É autoritário, possessivo e tem aquela irritante convicção de que sabe o que é melhor para Charity. A relação entre os dois é estranha e desconfortável, principalmente depois da atitude que tem para com ela. É verdade que Wharton não o apresenta simplesmente como um monstro, há nele solidão e alguma fragilidade, mas isso não chega para desculpar o seu comportamento nem para fazer dele uma personagem de quem gostemos particularmente.
Ou seja, ninguém está completamente certo e ninguém é completamente livre.
Hoje, em pleno século XXI, há comportamentos que nos parecem inaceitáveis e alguns continuam mesmo a ser difíceis de engolir. Mas também é impossível ignorar o contexto em que Charity vive. Ela toma decisões erradas, mas as alternativas que tem à sua disposição são bastante reduzidas.
O verão é, para Charity, uma espécie de parêntesis na vida. É durante aquele verão que descobre o desejo, o amor, a possibilidade de uma vida diferente e uma liberdade que nunca tinha experimentado. Mas o verão acaba. E com ele acaba também, de certa maneira, a ilusão de que basta querer outra vida para conseguir tê-la.
She had given him all she had—but what was it compared to the other gifts life held for him? She understood now the case of girls like herself to whom this kind of thing happened. They gave all they had, but their all was not enough: it could not buy more than a few moments…
E talvez seja esta a parte mais triste da história. Charity dá tudo o que tem, mas aquilo que para ela é tudo nunca poderá ter o mesmo valor para Lucius.
Wharton consegue contar uma história aparentemente simples e, por baixo dela, falar de liberdade, desejo, desigualdade e das escolhas que uma mulher pode ou não pode fazer.
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| Achievement Literally Summer |

