Título: A Irmã da Lua: A História de Tiggy
Série: The Seven Sisters #5
Autor: Lucinda Riley
Data de Leitura: 27/06/2026 ⮞ 12/07/2026
Classificação: ⭐⭐⭐
Sinopse
Com pouco mais do que vinte anos, Tiggy D’Aplièse é subitamente abalada pela morte do pai, o misterioso multimilionário Pa Salt que a adotou. A precisar de começar do zero, Tiggy ouve o instinto e muda-se para as remotas paisagens verdejantes escocesas e decide fazer aquilo de que mais gosta: cuidar de animais. É a trabalhar na propriedade Kinnaird, com terrenos a perder de vista, que conhece o seu enigmático e sombrio dono, Charlie Kinnaird.
Contudo, é quando trava amizade com Chilly, um idoso de origem cigana que vive na propriedade há anos sem fim, que o seu futuro se altera drasticamente, pois nele reside uma peça fundamental sobre o enigma das suas origens. Das planícies escocesas, Tiggy viaja até Espanha, e é no magistral palácio de Alhambra, em Granada, que descobre o laço que a une à mítica comunidade cigana de Sacromonte, vítima da Guerra Civil, e a La Candela, a melhor dançarina de flamenco da sua geração.
Entre passado e presente, Tiggy vê-se numa encruzilhada: enquanto começa a abraçar o dom curandeiro que sempre esteve nas suas cartas, Charlie e a propriedade Kinnaird também a chamam. Que ditam as linhas do seu destino? Deverá Tiggy cair nos braços da sua nova família ou regressar a Charlie, a Kinnaird, ao seu porto seguro?
Minha review no GoodReads
O ponto de partida de As Sete Irmãs está na mitologia grega. As Plêiades, filhas de Atlas, eram sete irmãs que acabaram transformadas em estrelas. Lucinda Riley pega neste mito antigo e usa-o como pano de fundo para uma série onde o passado nunca está verdadeiramente encerrado e onde a procura pela origem se transforma numa forma de autoconhecimento.
Neste quinto volume acompanhamos Taígeta / Tiggy, talvez a irmã mais ligada à natureza e à espiritualidade. Depois de aceitar um trabalho na propriedade de Kinnaird, nas Terras Altas da Escócia, conhece Chilly, um velho cigano que lhe revela que as respostas sobre o seu passado poderão estar no sul de Espanha, entre a comunidade cigana do Sacromonte, em Granada.
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| Alladale Estate na Escócia, no qual se baseia Kinnaird, Escócia |
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| Grutas de Sacromonte, Granada, Espanha |
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| Alhambra visto de Sacromonte |
Ao contrário do que me aconteceu nos quatro livros anteriores, desta vez foi a história do presente que mais me conquistou. Gostei de acompanhar a evolução da Tiggy, de a ver ganhar confiança, encontrar finalmente um lugar onde se sente útil e descobrir que, por vezes, perceber que a procura das suas origens também passa por aceitar quem se é no presente.
Confesso, no entanto, que toda a vertente mais sobrenatural nunca me convenceu. Sou demasiado céptica para me entusiasmar com dons, premonições ou ligações ao oculto. Leio, aceito que faz parte da construção da personagem, mas nunca foi isso que me prendeu.
Já a história de Lucía, apesar de interessante, não me envolveu tanto como esperava. Acompanhar o percurso daquela jovem cigana que acaba por se transformar numa grande bailarina de flamenco tinha todos os ingredientes para me conquistar, mas senti-a menos marcante do que as histórias de Izabela, Anna, Flora ou Kitty. Ainda assim, gostei bastante da forma como a autora retrata a cultura cigana e a importância do flamenco, bem como do enquadramento histórico da narrativa.
E, como já vem sendo hábito nesta série, dei por mim a fazer aquilo que mais gosto nestes livros: viajar sem sair do sofá. Gostei particularmente de conhecer Sacromonte, de revisitar o Alhambra, de voltar a passear por Lisboa e de acompanhar a história até Buenos Aires e Nova Iorque. Aliás, acho que é precisamente isso que mais me faz continuar esta série. Cada livro acaba por ser uma viagem a um novo país, uma nova cultura ou um novo período da História. E, inevitavelmente, termino sempre com várias pesquisas feitas e a sensação de conhecer um bocadinho melhor o mundo.
Houve até um pormenor que me fez sorrir. Achei curioso ver uma trupe de ciganos alojada em dois hotéis tão emblemáticos como o Hotel Avenida Palace em Lisboa, e o Waldorf Astoria em Nova Iorque. Percebe-se perfeitamente por que razão isso acontece dentro da história, mas não deixa de ser um contraste enorme entre as origens humildes daquelas personagens e o luxo dos locais onde acabam por ficar hospedadas.
A verdade é que As Sete Irmãs está longe de ser o tipo de literatura que costumo ler. Continuo a achar que esta não é uma saga memorável pela sua qualidade literária. Mas também não é isso que procura ser. É uma série que entretém, desperta curiosidade e convida-nos a viajar. E, no meu caso, fecho cada volume com vontade de abrir um mapa, procurar uma fotografia, descobrir um artista ou ler mais um pouco sobre os lugares por onde as personagens passaram. É a magia dos livros.




