Título: A Mulher dos Olhos de Gelo
Série: -
Autor: Chrysanthème
Data de Leitura: 08/05/2026 ⮞ 12/05/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
A Mulher dos Olhos de Gelo , uma obra intrigante de Chrysanthème, pseudônimo da escritora brasileira Cecilia Moncorvo Bandeira de Mello Rebello de Vasconcellos.
A trama gira em torno de um crime um feminicídio. A narrativa não se limita ao ato violento, aprofunda-se nas motivações psicológicas e nos distúrbios mentais. Chrysanthème cria uma atmosfera de suspense, compõe personagens complexos e mentalmente perturbados, oferecendo ao leitor uma oportunidade de análise das consequências de ações passadas e das influências de crenças religiosas na psique humana.
Esta reedição, baseada na 1ª edição do livro, publicada em 1935, teve a ortografia atualizada e conta com notas explicativas para termos e palavras fora de uso.
Minha review no GoodReads
Maria Cecília Moncorvo Bandeira de Melo Rebelo de Vasconcelos (1869-1948) é uma escritora brasileira do século XX, mais conhecida pelo seu pseudónimo Chrysanthème - personagem submissa do romance Madame Chrysanthème, do francês Pierre Loti.
Escreveu para importantes jornais e revistas de sua época entre eles O Paiz - onde ocupou a antiga coluna de Machado de Assis - Diário de Notícias, Correio Paulistano, O Cruzeiro e A Imprensa, tendo mais de 15 livros publicados (romances históricos e biográficos, peças teatrais, ensaios críticos e contos infantis), porém caiu no esquecimento e, por isso, hoje em dia é pouco conhecida e as suas obras são pouco lidas.
A Mulher dos Olhos de Gelo lê-se rápido.
À primeira vista, parece simples. Maurício, capitão do Exército, matou a mulher, Helena, e encontra-se preso na Casa da Correção. Depois de receber a visita do amigo Jorge, que quer saber o que realmente aconteceu, decide escrever um relato onde tenta explicar e justificar o crime.
Como matei minha mulher?
É precisamente neste relato que Chrysanthème constrói a desconstrução do discurso do criminoso.
Maurício matou Helena, mas passa toda a narrativa a tentar convencer-nos de que a culpa também era dela. Apresenta-se como um homem atormentado, emocionalmente instável, vítima de um casamento infeliz e incapaz de controlar os próprios impulsos. O seu discurso procura constantemente a nossa simpatia, recorrendo ao velho argumento do “crime passional”, essa ideia absurda de que o amor, o ciúme, a humilhação ou o sofrimento masculino podem servir de atenuante para a violência.
Helena está morta, mas continua o julgamento.
E todo este discurso encontra eco social. A sociedade da época, e muitas vezes ainda a actual, tende a procurar justificações para a violência masculina. Ciúmes, paixão, humilhação, descontrolo emocional, são tudo motivos para justificar um “crime passional”. Helena, a mulher assassinada acaba julgada mesmo depois de morta.
Maurício acaba por beneficiar dessa mesma lógica social. Depois de voltar a ser julgado, consegue recuperar a liberdade e recomeçar a vida ao lado de um novo amor.
Um livro pequenino, mas com muitos temas: femicídio, fanatismo religioso, violência contra homossexuais, abandono prisional, transtornos mentais…em 1935.

