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[Opinião] A Correspondente - Virginia Evans

                                


      

Título: A Correspondente

Série: -

Autor: Virgina Evans

Data de Leitura: 02/05/2026 ⮞ 10/05/2026

Classificação: 


Sinopse

Sybil Van Antwerp sempre usou cartas para dar sentido ao mundo e ao seu lugar nele. Aos 70 anos, esta advogada aposentada dedica as suas manhãs a corresponder-se com família, amigos, vizinhos, antigos colegas e até com os seus autores preferidos. Teimosa, ranzinza, excessivamente opinativa e, ainda assim, imensamente cativante, Sybil partilha as suas reflexões sobre tudo: do casamento à maternidade, da amizade à perda, do luto ao envelhecimento.

Através das suas cartas, conhecemos o mundo fascinante de Sybil e as personagens que o habitam. Mas há uma carta que ela escreve há anos e que nunca teve coragem de enviar.

Sybil espera que o seu mundo continue como sempre foi. Contudo, quando cartas de alguém do seu passado a forçam a examinar um dos períodos mais dolorosos da sua vida, ela percebe que não pode mais adiar o inevitável. Para seguir em frente, terá de encontrar no seu coração a força para perdoar e, finalmente, enviar a carta mais difícil da sua vida.

Uma história comovente e agridoce sobre o poder transformador da palavra escrita e a beleza de abrandar para nos reconectarmos com as pessoas que amamos. Sybil é uma personagem que permanecerá consigo muito depois de pousar as suas cartas.



Minha review no GoodReads


Na segunda, por volta das dez, dez e meia, Sybil Van Antwerp senta-se outra vez à secretária. É a correspondência que define a sua forma de vida.


É um romance epistolar, contado através de cartas, postais e emails, centrado em Sybil Van Antwerp, uma mulher de 73 anos, advogada reformada, que passou a vida a tentar compreender o mundo escrevendo cartas a amigos, familiares, escritores e até pessoas com quem nunca se cruzou na vida.


Talvez a maioria daqueles que por aqui andam não saiba o que é escrever e receber cartas, ou melhor, manter correspondência com familiares, amigos ou até com pessoas que talvez nunca tenhamos visto ou com quem apenas estivemos uma única vez na vida. Hoje temos grupos de WhatsApp, mensagens instantâneas e redes sociais para manter contacto. Na minha infância e adolescência eram as cartas que mantinham vivas muitas dessas ligações. 

Cresci numa altura em que muitas amizades sobreviviam graças às cartas trocadas durante os anos de escola e em que enviar um postal nas férias era quase um ritual. Mas não era só em papel que nos aproximávamos de quem estava longe. Aos amigos que, por qualquer razão, mudavam para lugares distantes, enviávamos, e também recebíamos cassetes áudio (sim, pesquisem) com longas conversas gravadas, pequenos relatos do dia-a-dia e desabafos que hoje talvez fossem mensagens de segundos enviadas pelo telemóvel.

Ainda conservo muita da correspondência que recebi ao longo da vida. De vez em quando volto a abrir algumas dessas cartas e encontro nelas muito mais do que memória. Reencontro vozes, afectos, versões antigas de quem fui e pessoas que o tempo levou ou afastou. Como se durante alguns instantes fosse possível recuperar aquilo que julgamos perdido.

A tecnologia veio mudar muita coisa. Hoje tudo é mais rápido, mais simples e imediato, mas perdeu-se alguma da intimidade que existia na espera de uma carta, no reconhecimento de uma caligrafia ou na emoção de receber um postal vindo do outro lado do mundo.

Talvez por isso A Correspondente me tenha tocado tanto. Havia qualquer coisa de especial naquela espera, na expectativa de reconhecer uma letra no envelope ou de finalmente receber notícias de alguém distante.


Ao longo do romance, Virginia Evans vai espalhando referências literárias que ajudam a compor o universo emocional e intelectual de Sybil. Como gosto sempre de seguir os rastos deixados pelos livros, deixo abaixo a lista de autores e obras mencionados:


State of Wonder – Ann Patchett

Bel Canto – Ann Patchett

Run – Ann Patchett

H. G. Wells

Destinos Entrelaçados - Abraham Verghese

Um Crime no Expresso Oriente – Agatha Christie

Crossing to Safety - Wallace Stegner

Noites Azuis – Joan Didion

Mary Poppins – P. L. Travers

Versículos Satânicos - Salman Rushdie

Nunca Me Deixes - Kazuo Ishiguro

Ulisses - Joyce

Nunca Me Deixes - Kazuo Ishiguro

Os Despojos do Dia - Kazuo Ishiguro

The Orphan Master’s Son - Adam Johnson

84 Charing Cross Road - Helene Hanff

Viagens com o Charley - Steinbeck

Trilogia Espacial - C. S. Lewis 

Série da Fundação - Isaac Asimov 

Crónicas de Nárnia - C. S. Lewis 

O Senhor dos Anéis – J. R. R. Tolkien 

O Imperador de todos os males - Siddhartha Mukherjee

Rebecca - Daphne du Maurier

O Ano do Pensamento Mágico – Joan Didion

Inferno - Dan Brown

A Casa Redonda - Louise Erdrich

Outlander –Nas Asas do Tempo – Diana Gabaldon

Stoner - John Williams

The World Below, da Sue Miller

Rumo ao Farol, da Virginia Woolf

O Monte dos Vendavais - Emily Brontë

Eavan Boland

John McGahern

Yeats

Beckett

Amongst Women - John McGahern

Olhar o Nascer do Sol – John McGahern

The Stories - William Trevor

Philip Roth

Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Lonesome Dove - Larry McMurtry

The White Album – Joan Didion

Os Homens que Odeiam as Mulheres - Stieg Larsson