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[Opinião] As Sete Irmãs: A Irmã da Sombra: A História de Estrela - Lucinda Riley

                                


      

Título: A Irmã da Sombra

Série: The Seven Sisters #3

Autor: Lucinda Riley

Data de Leitura: 05/04/2026 ⮞ 12/04/2026

Classificação: 


Sinopse

Se procura uma série envolvente e viciante, na qual a trama familiar é o ponto de partida para momentos épicos em vários lugares e épocas, tem o livro perfeito nas mãos.

Prepare-se para viver amores impossíveis, sonhos sem limites e surpresas impressionantes.

Depois da morte do pai, Estrela D’Aplièse está numa encruzilhada. À semelhança do que aconteceu com as suas irmãs, descobre que Pa Salt, como carinhosamente o chamavam, deixou pistas sobre as suas origens - e agora cabe-lhe a ela procurar saber mais. Tímida e enigmática, Estrela sempre se apoiou em CeCe. Agora, ambas as irmãs vivem em Londres. É nessa cidade, onde Estrela continua a não se sentir em casa, que inicia a busca pela sua verdadeira história.

À porta de uma livraria de livros raros, Estrela começa o caminho que a irá levar até Flora MacNichol, uma jovem inglesa que, cem anos antes, vivera no idílico cenário do campo inglês e tivera como grande inspiração Beatrix Potter. Como poderão duas mulheres, com um século a separá-las, ligar-se através da escrita de diários e sentir-se unidas por sentimentos de amor, perdão e superação?


Minha review no GoodReads



O ponto de partida de As Sete Irmãs está na mitologia grega. As Plêiades, filhas de Atlas, eram sete irmãs que acabaram transformadas em estrelas. Lucinda Riley pega neste mito antigo e usa-o como pano de fundo para uma série onde o passado nunca está verdadeiramente encerrado e onde a procura pela origem se transforma numa forma de autoconhecimento.


Neste terceiro volume seguimos Astérope / Estrela, a irmã mais reservada de todas, aquela que até aqui viveu quase como sombra da irmã Celeno / CeCe. E, tal como nos livros anteriores, a viagem ao passado volta a ser o coração da história.


(…) às vezes na vida é preciso tomar decisões difíceis e frequentemente dolorosas que, na época, podes achar que magoarão entes queridos. E pode ser que magoem mesmo, pelo menos por um tempo. Muitas vezes, porém, as mudanças provocadas acabarão por ser a melhor coisa para as outras pessoas também. E vão ajudá-las a seguir em frente.


Confesso que o presente foi a parte que menos me agarrou. Estrela é interessante, mas demasiado contida, e senti que a sua história nunca chega a ter o fôlego que prometia. Mouse, Orlando, Marguerite e Rory tinham espaço para muito mais. São personagens do presente com bastante potencial, sobretudo pela forma como entram na vida de Estrela e pelo peso emocional que acabam por ter no seu percurso. No entanto, acabam por não ter o desenvolvimento que prometiam. Percebe-se que são importantes para o caminho que ela está a construir.


Mas no presente, o que mais me desiludiu foi a forma como a mãe de Estrela entra e sai da narrativa. Sendo a busca das origens o fio condutor da série, esperava que este encontro tivesse mais peso emocional e mais tempo para respirar. A revelação acontece depressa e resolve-se ainda mais depressa, deixando a sensação de um caminho que ficou por percorrer.


Em contrapartida, o passado brilha. A história de Flora MacNichol é o que torna este volume tão envolvente. A ambientação rural inglesa, no Lake District, Cumbria, noroeste de Inglaterra, é outro dos pontos fortes: a paisagem, as casas, o ritmo mais lento, o peso das convenções sociais… tudo isso cria um pano de fundo rico e muito vívido. É ali, no passado, que o livro respira melhor, ganha profundidade e nos prende verdadeiramente.


Gostei especialmente da forma como surgem figuras reais como Beatrix Potter e Edward VII, Rei do Reino Unido e Imperador da Índia, mais conhecido entre nós também pela ligação ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, onde se realiza a Feira do Livro. No entanto, senti que ambos ficaram aquém do potencial que tinham. A presença de Beatrix Potter, em particular, tinha tudo para ser ainda mais marcante.


No fim, este foi um livro que me agarrou sobretudo pela história do passado. O presente fica um pouco a meio caminho, mas é ali, entre a Cumbria e as vidas que já não existem, que a história realmente respira, e nos faz querer continuar a seguir esta constelação de irmãs.