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[Opinião] As Filhas do Falecido Coronel - Katherine Mansfield

                                    


  

Série: 

Autor: Katherine Mansfield

Data de Leitura: 29/03/2026 ⮞ 29/03/2026

Classificação: 


Sinopse

«Vamos ser fracas, está bem, Jug? Ser fraco é muito mais agradável do que ser forte.»

Que portas se fecham — e que janelas se abrem — nas vidas de duas irmãs em luto pela morte do velho pai, o coronel?


Minha review no GoodReads


O conto As Filhas do Falecido Coronel não assenta num enredo tradicional. Acompanhamos duas irmãs, Constantia e Josephine, após a morte do pai, um homem autoritário que dominou as suas vidas.

Após a morte do pai, seria de esperar que as irmãs conquistassem alguma liberdade, mas, em vez disso, revelam um bloqueio emocional e mostram-se incapazes de tomar decisões. O peso da figura paterna mantém-se mesmo após a sua morte, como se a sua autoridade tivesse sido completamente interiorizada.

O conto termina de forma ambígua, mas profundamente simbólica, revelando a incapacidade das irmãs de romper com a vida que sempre conheceram. Essa incapacidade torna-se evidente no diálogo final:


— Não achas que talvez… — começou.

Mas Josephine interrompeu.

— Estava a pensar se agora… — murmurou.

Pararam; esperaram uma pela outra.

— Continua, Con — disse Josephine.

— Não, não, Jug; tu primeiro — disse Constantia.

— Não, diz o que ias dizer. Tu é que começaste — insistiu Josephine.

— Eu… prefiro ouvir primeiro o que ias dizer — retorquiu Constantia.

— Não sejas tola, Con.

— A sério, Jug.

— Connie!

— Oh, Jug!

Uma pausa. Depois Constantia disse debilmente:

— Não posso dizer o que ia dizer, Jug, porque me esqueci do que era… do que ia dizer.

Josephine ficou em silêncio durante um momento. Contemplou uma grande nuvem, onde antes tinha estado o Sol. Depois respondeu laconicamente:

— Eu também me esqueci.