Série: -
Autor: Mario Vargas Llosa,Gabriel García Márquez
Data de Leitura: 06/01/2026 ⮞ 14/01/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
Em setembro de 1967, os jovens Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa encontraram-se em Lima para discutir a literatura latino-americana. O primeiro já tinha vendido milhares de exemplares de Cem Anos de Solidão. O segundo acabava de ganhar o Prémio Rómulo Gallegos com A Casa Verde. Hoje são ambos considerados universalmente dois dos maiores expoentes da literatura, mas naquela época eram apenas dois jovens que estavam a começar a carreira de romancistas.
Em Duas Solidões, estão frente a frente dois escritores, dois génios literários, duas maneiras diferentes de entender a literatura, dois temperamentos um tanto contraditórios, duas maneiras diferentes de narrar. Estes são os tempos em que o boom da literatura latino-americana se está a formar e ainda não tinha sido inventado um nome para o que hoje conhecemos como «realismo mágico». Páginas emocionantes de uma conversa sem igual.
Esta edição inclui textos de Juan Gabriel Vásquez, Luis Rodríguez Pastor, José Miguel Oviedo, Abelardo Oquendo, Abelardo Sánchez León e Ricardo González Vigil, que recordam, na maioria como testemunhas, esse diálogo; e, além disso, duas entrevistas com o escritor colombiano, uma seleção fotográfica e a avaliação de Vargas Llosa sobre a vida e obra de García Márquez na atualidade. E conta ainda com um prefácio de Pedro Mexia para esta edição.
Minha review no GoodReads
Este livro reúne um conjunto de textos que funcionam como amuse-gueule para aquilo que verdadeiramente nos interessa que é a conversa entre dois homens que viriam a tornar-se duas das maiores vozes da literatura latino-americana.
Antes do diálogo propriamente dito, encontramos quatro textos introdutórios:
Irmãos inimigos, de Pedro Mexia;
Palavras recuperadas, de Juan Gabriel Vásquez;
Uma vez e nunca mais, de Luis Rodríguez Pastor;
e a nota preliminar de José Miguel Oviedo
que ajudam a contextualizar e a preparar-nos para o encontro que se segue.
No centro do volume está o diálogo travado entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez em Lima, nos dias 5 e 7 de Setembro de 1967.
Cem Anos de Solidão tinha acabado de ser publicado e García Márquez ainda não era o escritor planetário que viria a ser e Vargas Llosa, por sua vez, estava em plena afirmação crítica e intelectual. São dois escritores jovens, ambiciosos, lúcidos e ainda amigos.
Trata-se de uma conversa longa, densa e surpreendentemente generosa, em que dois escritores ainda em plena afirmação reflectem sobre a literatura. Falam sobretudo do romance latino-americano, do acto de escrever, do realismo mágico, das influências literárias, do papel do escritor na sociedade.
No final, o livro oferece um verdadeiro digestivo, uma série de testemunhos que prolongam este momento histórico, com textos de:
Abelardo Sánchez León - Foi há anos e não o esqueço;
Abelardo Oquendo - Vida e literatura;
Ricardo González Vigil - Encontro entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez;
e ainda García Márquez por Vargas Llosa.
Há ainda um pequeno miminho com algumas entrevistas, textos adicionais como Forjámos o Grande Romance da América e Gabriel García Márquez. A sua chave: a sinceridade, e um conjunto de fotografias que eternizaram o momento.
Lido hoje, este livro ganha uma força adicional, não apenas como reflexão literária de alto nível, mas como o registo de um encontro irrepetível, anterior às rupturas pessoais e ideológicas que viriam a separar definitivamente estes dois escritores.
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