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[Opinião] As Sete Irmãs - Lucinda Riley

                                   


  

Título: As Sete Irmãs

Série: The Seven Sisters #1

Autor: Lucinda Riley

Data de Leitura: 02/01/2026 ⮞ 15/01/2026

Classificação: 


Sinopse

Se procura uma série envolvente e viciante, na qual a trama familiar é o ponto de partida para momentos épicos

em vários lugares e épocas, tem o livro perfeito nas mãos. Prepare-se para viver amores impossíveis, sonhos sem limites e surpresas impressionantes.

Maia D’Aplièse, a filha mais velha do misterioso Pa Salt, tem uma vida tranquila: isolada na casa de família no lago Genebra, na Suíça, não podia estar mais confortável. Mas, um dia, o chão abre-se sob os seus pés. A notícia da morte do pai, que adotou Maia e as suas cinco irmãs em pontos diferentes do mundo, deixa-a completamente desfeita.

Porém, antes de morrer, Pa Salt deixou pistas às seis filhas sobre as origens de cada uma. Maia, abalada com a perda do pai, não consegue também lidar com o reaparecimento de um antigo namorado - é demasiado. Resolve, então, seguir as pistas de Pa Salt - uma carta, coordenadas geográ­cas e um azulejo de pedra-sabão - e rumar ao Rio de Janeiro.

Envolvida pela atmosfera quente e sedutora da Cidade Maravilhosa, Maia descobre que a sua vida está ligada a uma trágica e comovente história de amor, passada entre a belle époque parisiense e a construção do Cristo Redentor. Maia tem de investigar os seus ancestrais e enfrentar os erros do passado. Mas, pelo meio, entre tempos e lugares, espreita, talvez, um novo amor.



Minha review no GoodReads


O ponto de partida de As Sete Irmãs está na mitologia grega. As Plêiades, filhas de Atlas, eram sete irmãs que acabaram transformadas em estrelas. Lucinda Riley pega neste mito antigo e usa-o como pano de fundo para uma série onde o passado nunca está verdadeiramente encerrado e onde a procura pela origem se transforma numa forma de autoconhecimento.


Neste primeiro volume conhecemos Maia, a irmã mais velha. Reservada, introspectiva e algo desligada do mundo exterior, Maia vive há anos quase em clausura, protegida pela grande casa da família, nas margens do Lac Genebra, e pela presença enigmática de Pa Salt. Da sua infância pouco sabemos, e a forma como foi adoptada permanece envolta em silêncio. É apenas após a morte do pai adoptivo que Maia se vê obrigada a sair da sua zona de conforto e a iniciar uma viagem em direcção às suas origens.


Nunca permitas que o medo decida o teu destino.


No presente, Maia vai descobrindo pequenas âncoras que a ajudam a avançar na sua própria vida e o Floriano é uma delas. Ele surge quase sem querer, discreto, mas torna-se rapidamente alguém de confiança, com quem se pode rir, partilhar medos e dar uns passos em frente. Não é um romance que ocupe toda a história, mas sim uma presença constante que aquece e suaviza os momentos mais solitários da Maia. Com ele, percebemos que a Maia não precisa de carregar tudo sozinha e que, às vezes, a vida tem jeito de surpreender com pequenas alegrias.

Ao mesmo tempo, a viagem da Maia leva-nos, inevitavelmente, ao passado, através da história de Izabela Bonifácio, que domina grande parte do livro. É aqui que a narrativa ganha corpo: conhecemos um Rio de Janeiro do início do século XX, em plena transformação, com todas as suas contradições e tensões sociais. Gostei bastante de toda a história à volta da construção do Cristo Redentor. Mais tarde, acompanhamos Izabela em Paris, cidade de descoberta, liberdade e formação, mas também palco do grande amor da sua vida. Uma relação intensa, desigual, cheia de paixão e de dor, que marca Izabela de forma irreversível. Paris não é apenas um lugar bonito por onde se passeia; é o sítio onde Izabela se constrói e, ao mesmo tempo, se parte um pouco. Mesmo sabendo desde cedo que este amor não terá um final feliz, é impossível não se deixar envolver por ele.

Ainda assim, senti que o livro passa demasiado tempo com Izabela e pouco com Maia. Embora compreenda a força da narrativa histórica, gostaria de ter acompanhado mais de perto o processo interior da Maia, a sua busca e as suas dúvidas. A sua evolução existe, e é até surpreendente em certos momentos, mas acontece muitas vezes à margem, como se Maia estivesse ali sobretudo para ligar pontas soltas.

Além do Rio e Paris, a narrativa leva-nos ainda à Suíça, onde Maia passa algum tempo numa casa à beira de lago, cercada de montanhas e vegetação. Este espaço é discreto, calmo, quase um refúgio, e serve para a Maia reflectir sobre tudo o que descobriu, dando à história uma pausa íntima e contemplativa.

Por fim, há Atlântida, a enorme mansão das irmãs no presente, que liga todas elas e mantém o mistério de Pa Salt. É um espaço de memórias e segredos, onde passado e presente se entrelaçam.

A escrita é simples e fluida, tornando a leitura rápida e agradável. Há algumas surpresas bem colocadas e personagens secundárias que funcionam muito bem. As outras irmãs, ainda pouco exploradas, deixam pistas suficientes para despertar curiosidade e vontade de continuar.


Resumindo: As Sete Irmãs foi uma leitura agradável, mas ficou aquém do que eu esperava. Passa-se bem o tempo, um pouco de romance, uns segredos pelo caminho, viagens pelo passado…tudo num romantsy para gajas.


Dou-lhe 3 estrelas, com a noção de que esta avaliação poderá mudar quando terminar a série e conseguir olhar para este primeiro livro como parte de um todo.