Série: -
Autor: Susana Amaro Velho
Data de Leitura: 10/06/2022 ⮞ 13/06/2022
Classificação: ⭐⭐⭐
Sinopse
Poderá um amor de juventude inquietar uma vida inteira?
Julieta parece ter a vida perfeita. Aos trinta e sete anos tem um marido adorável que cozinha os melhores bolos. O emprego com que sempre sonhou e que a preenche. Uma casa cheia de luz e livros, onde a mesa está enfeitada com camélias. Então, por que motivo está agora sobre o varadim escorregadio de uma ponte, descalça e suja de sangue, prestes a saltar?
Afinal, nem tudo o que parece é. Quando um amor antigo regressa do passado, traumas são ressuscitados e uma proposta impensável desperta em Julieta um fantasma adormecido. Mas que proposta é essa que vem tornar a verdade perturbadora? E o que é a verdade quando a própria realidade a confunde?
Inquieta é um relato cru e intenso dos anseios e traumas de uma mulher. É a história de alguém incapaz de fugir do abismo da própria memória e de se sentir livre.
Minha review no GoodReads
Susana Amaro Velho faz parte desta nova geração de escritoras que faz muito furor na comunidade portuguesa do GoodReads. Como se aproximava um fim-de-semana de 4 dias resolvi pegar neste Inquieta e aproveitar para conhecer mais uma voz feminina.
Alguns dos temas abordados estão na ordem do dia: abandono familiar, violência no namoro e doenças mentais, mas tudo isto junto na história de uma só pessoa é un po’ troppo.
As personagens também não ajudaram muito. A Julieta e a amiga (já me esqueci do nome) Leila de 2021 parecem-se com as de 2011 e 2001, ficaram paradas no tempo, não tiveram quase evolução. Os diálogos entre as duas são em muitos casos desprovidos de conteúdo e um pouco irreais.
À semelhança de Apneia também aqui a personagem principal só conseguiu lidar com maus profissionais, neste caso na área da psicologia. Há gente mesmo muito azarada neste mundo.
Os amigos, nomeadamente a melhor amiga, também não perceberam alguns sinais que deixavam adivinhar qual a doença psiquiátrica que afetava a Julieta. É muito difícil acreditar que a melhor amiga, o namorado, os professores, os psicólogos e o marido não tenham tido, em momento algum, a mais pequena dúvida de que a Julieta tinha graves problemas de saúde mental.
A juntar a isto há aquela quantidade de informação completamente desnecessária, mas que hoje em dia parece estar na moda.
Leila falava com a boca cheia, como sempre, e mexia no telemóvel ao mesmo tempo, embora estivesse concentrada na conversa. Era multifacetada.
Estava a chover a sério quando Leila parou o carro à porta de casa de Ermelinda, tendo este de imediato desligado o motor graças ao seu sistema inovador de start-stop.
Gostava de ter visto também o lado do Gustavo, tinha dado um contraditório à história, talvez a enriquecesse e nos desafiasse enquanto leitores.
Depois de tanto enquadramento na primeira parte do livro, que foi uma canseira e ditou a minha completa falta de simpatia pelas personagens, a segunda parte foi só uma confirmação das minhas suspeitas.
Ah!, já agora façam blurbs em condições
Julieta tem uma vida perfeita, mas está prestes a saltar de uma ponte…
ninguém cuja vida é perfeita salta de uma ponte.