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[Opinião] As Sete Irmãs: A Irmã do Sol: A História de Electra - Lucinda Riley

                                  



Título: A Irmã do Sol: A História de Electra

Série: The Seven Sisters #6

Autor: Lucinda Riley

Data de Leitura: 09/09/2026 ⮞ 03/10/2026

Classificação: ⭐⭐⭐


Sinopse

Electra D’Aplièse tem tudo o que pode desejar: é uma das supermodelos mais conhecidas do mundo. Mas, por trás da perfeição e do glamour, será dona da sua vida?


Após a morte de Pa Salt, o pai adotivo, a pressão do modo de vida descontrolado atinge um novo auge e tudo ameaça destruir-se. Desesperada, entrega-se ao álcool e às drogas, a tudo o que possa aliviar a dor aguda que a corrói. O coração parece estar vazio e o enigma da sua vida continua por desvendar. E é então que recebe uma carta de uma estranha que afirma não só ser sua avó como ter a chave para o passado.


No distante ano de 1939, Cecily Huntley-Morgan chega a um Quénia turbulento para, também ela, curar um coração partido. Conhece Bill Forsythe, solteirão ilustre, mas a guerra está iminente e Cecily fica isolada e vulnerável nas vastas paisagens de África. Até que um bebé abandonado nas matas ao redor de casa muda tudo…


Entre passado e presente, segredos, perdas e descobertas residem na penumbra, à espera de mudar para sempre o destino de duas mulheres separadas por uma mesma história.



Minha review no GoodReads


2.5⭐


O ponto de partida de As Sete Irmãs está na mitologia grega. As Plêiades, filhas de Atlas, eram sete irmãs que acabaram transformadas em estrelas. Lucinda Riley pega neste mito antigo e usa-o como pano de fundo para uma série onde o passado nunca está verdadeiramente encerrado e onde a procura pela origem se transforma numa forma de autoconhecimento.


Desta vez, ao contrário dos livros anteriores, gostei mais da história do presente do que da do passado. Electra acabou por me despertar mais interesse, talvez porque a sua história me pareceu mais próxima e, de certa forma, mais interessante de acompanhar.

Ainda assim, há ali algumas coisas que me fizeram revirar os olhos. Como assim, Electra é uma mulher negra e desconhece as suas origens? A frase «Como a minha avó acabou de dizer, estou aqui porque acabei de descobrir a minha origem africana» deixou-me perplexa. Uma coisa é desconhecer as suas raízes familiares e a história dos seus antepassados, outra é apresentar a descoberta da origem africana como se fosse uma revelação completamente inesperada para uma mulher negra. Enfim…

E há ainda outra coisa que me ficou atravessada. Logo nas primeiras páginas aparece a frase: «Descendes de uma longa linhagem de princesas, ou o seu equivalente, no Quénia.» Ora, eu fiquei à espera de saber alguma coisa sobre essa tal linhagem de princesas. Quem eram? De onde vinham? Qual era a sua história? Pois chegamos ao fim e… nada. Mais uma daquelas coisas que parecem prometer uma história interessante e acabam por ficar praticamente esquecidas pelo caminho.

Já a história de Cecily, passada no Quénia, tinha tudo para ser memorável. E atenção, até achei a história dela interessante. O problema é que passamos demasiado tempo com as «futilidades» da vida de uma branca rica em África, quando havia tanto mais por explorar. As paisagens, a fauna, a diversidade cultural… 


ol Donyo Lodge, Chyulu Hills


Gostava de ter conhecido melhor a realidade dos Massai e dos Quicuio, os seus modos de vida e as suas regras sociais. Em vez disso, ficamos sobretudo com os problemas sentimentais e familiares das personagens habituais.


E depois há a Revolta dos Mau Mau, um episódio fundamental da história queniana, que acaba por ser uma “nota de rodapé”. Não esperava propriamente uma aula de História, mas achei que a autora desperdiçou uma oportunidade de dar mais profundidade à narrativa e de nos mostrar um pouco melhor o país onde a história decorre.


Também o romance me deixou a desejar. Quando a autora finalmente parece querer pegar nele, já vamos bastante avançados na história, e tudo se resolve demasiado depressa. Fiquei com a sensação de que, depois de tanto tempo dedicado a outros assuntos, já não havia espaço para desenvolver aquilo que poderia ter sido uma parte bem mais interessante.

Continuo a gostar desta viagem pelos diferentes países, épocas e culturas — é, aliás, uma das razões que me fazem continuar a ler esta saga —, mas desta vez senti que o livro tinha potencial para muito mais e não o aproveitou. Duas estrelas e meia. Não consigo dar mais.