Título: Uma Espia Americana em Lisboa
Série: -
Autor: Madeline Martin
Data de Leitura: 27/05/2026 ⮞ 05/06/2026
Classificação: ⭐⭐
Sinopse
Um romance envolvente inspirado na história verdadeira de espiões bibliotecários a operar em Lisboa durante a Segunda Guerra Mundial.
Ava sempre achou que o seu emprego na Biblioteca do Congresso, em Washington, D. C., lhe traria uma existência pacata e rotineira. Mas uma inesperada proposta do exército norte-americano leva-a até Lisboa com uma missão: fazer-se passar por bibliotecária enquanto trabalha como espia, recolhendo informações secretas para os Estados Unidos. Enquanto isso, na França ocupada, Elaine começa a sua aprendizagem numa tipografia dirigida por membros da Resistência. Era um trabalho geralmente reservado aos homens, mas em tempo de guerra essas regras foram esquecidas.
No entanto, ela sabe que os nazis estão atrás da imprensa e das suas gráficas para silenciá-los. à medida que a batalha na Europa se agrava, Ava e Elaine, separadas por milhares de quilómetros, começam a comunicar através de mensagens codificadas, publicadas em jornais, e descobrem a esperança em tempos de guerra.
Minha review no GoodReads
Parece-me que as únicas informações que existem nos Estados Unidos sobre Portugal durante a Segunda Guerra Mundial se resumem a bibliotecárias americanas bonitas, extremamente competentes e capazes de microfilmar jornais, revistas, panfletos e livros que considerem estar em risco de ser destruídos pelos nazis. Como bónus, falam uma série de línguas, português incluído, e conhecem a história do país melhor do que muitos portugueses.
Há uns tempos li
Uma Livraria em Tempos de Guerra , também passado em Lisboa e assente numa premissa muito semelhante. A diferença entre os dois? O primeiro era bom. Este é a versão da Wish.
A história acompanha duas linhas narrativas que, em teoria, tinham tudo para resultar e dar origem a um excelente romance.
Ava trabalha na Biblioteca do Congresso e é enviada para Lisboa para participar num projecto de preservação documental. Hélène/Elaine integra a Resistência francesa e colabora na produção e distribuição de jornais clandestinos.
A história mais interessante é, sem dúvida, a de Elaine. Infelizmente, é também a que parece receber menos atenção. Há ali material para um romance tenso, emocionante e cheio de conflitos. Em vez disso, a autora prefere concentrar-se em Ava, cuja principal ocupação consiste em ser bonita e apaixonar-se por James, um britânico todo enxuto.
O resultado é um livro que nunca explora verdadeiramente o potencial das suas personagens nem do contexto histórico em que se insere.
O epílogo acaba por ser a melhor parte do romance e, muito honestamente, foi ele que salvou uma estrela na classificação final.
Na nota da autora, Madeline Martin refere que esteve em Lisboa em 2021 e que
teve uma guia turística incrível, a Raquel Estevens, (...) não planeou apenas passeios específicos em função do que eu precisava para a minha pesquisa, como também foi sempre muito paciente face a todas as minhas perguntas.
Das três, uma: ou a autora não esteve com atenção, ou a guia turística tinha apenas umas luzes sobre a história da cidade, ou a revisão foi feita num daqueles dias em que ninguém estava particularmente concentrado. Porque há erros que simplesmente não deveriam ter passado.
Por exemplo:
— Praça do Rossio. — Peggy apontou para a zona de calçada ornamentada e para a estátua do rei D. Pedro VI de Portugal no topo de uma alta coluna ao centro.
Portugal nunca teve um D. Pedro VI. Um detalhe menor, dirão alguns. Eu diria que é o tipo de detalhe que se resolve com uma pesquisa de trinta segundos.
Ou este:
Sempre apreciara peixe fresco e marisco e esperava agora poder comê-los em Lisboa, trazidos diretamente das águas cintilantes do rio Tejo para um grelhador.
Porque todos sabemos que Lisboa é mundialmente famosa pelo marisco acabado de sair do Tejo.
Depois temos os clichés habituais. Os lisboetas parecem alimentar-se exclusivamente de sardinhas durante os doze meses do ano e, para sobremesa, só existe pastel de nata. Fiquei surpreendida por ninguém ter passado o livro inteiro a ouvir fado enquanto observava eléctricos amarelos a subir e descer colinas.
No fim de contas, o livro lê-se sem grande esforço, mas fica sempre a sensação de que podia ter sido muito melhor. As duas histórias tinham potencial. O cenário histórico tinha potencial. Até as personagens tinham potencial. O problema é que potencial, por si só, não chega.-