Série: The Farseer Trilogy #1
Autor: Robin Hobb
Data de Leitura: 23/04/2026 ⮞ 01/05/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino.
Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino.
Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.
Minha review no GoodReads
One down, fourteen to go!
Nunca fui de ler muita fantasia. Acho que a última saga que me agarrou a sério foi As Brumas de Avalon.
Mas como gosto de variar o que leio, decidi arriscar nesta, e logo numa que tem nada menos do que 15 volumes.
Acabei Aprendiz de Assassino, o primeiro da trilogia The Farseer, da Robin Hobb, e a impressão não podia ser melhor. O livro gasta o tempo necessário a situar-nos no reino, no contexto político e a apresentar personagens que, rapidamente, ganham vida.
É um começo sólido, onde o foco está claramente na construção do mundo e das relações, e não tanto na acção pura e dura.
O que mais gostei foi a construção do Fitz. Ele carrega um peso enorme desde miúdo. Por ser um bastardo real, é visto como um "problema" pela corte, alguém que ninguém quer por perto. Há ali uma carga trágica constante. Em vez de se livrarem dele, decidem moldá-lo e usá-lo, uma jogada de mestre do rei Sagaz, que prefere ter a lealdade dele do que o risco de o ter como inimigo.
Acompanhamos o treino dele como assassino, mas a Robin Hobb não facilita. Não é um treino simplista; há sempre um conflito entre o que o Fitz é obrigado a fazer e o que ele sente. Ele nunca é só um instrumento, é humano, e essa linha moral que ele tenta não cruzar torna tudo mais interessante. Depois temos a magia — a Manha e o Talento. Não é aquela magia fácil ou gloriosa, aqui é mais um fardo num caminho que já é difícil. A aprendizagem é dura, por vezes injusta, e mostra bem que crescer naquele ambiente é tudo menos simples. É por isso que acabamos por criar uma ligação tão forte com ele.
A escrita da Robin Hobb foi uma surpresa muito boa. É descritiva, sim, mas nunca aborrecida. Ela foca-se nas emoções e nas dinâmicas entre as pessoas, o que dá tempo para as personagens crescerem. O ritmo é pausado, mas a história vai ganhando uma força incrível à medida que avançamos.
No fundo, foi um arranque super promissor. Deixou-me com muita curiosidade para os próximos volumes. Afinal, isto é só o início de uma viagem bem longa.
