Série: -
Autor: Édouard Louis
Data de Leitura: 07/02/2026 ⮞ 10/02/2026
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
No romance que encerra o fresco familiar iniciado com Para Acabar de Vez com Eddy Bellegueule, Édouard Louis narra, com emoção e revolta, a história trágica do seu irmão mais velho.
«O meu irmão passou uma grande parte da sua vida a sonhar. No seu mundo pobre e operário, onde a violência social se manifestava muitas vezes na forma como limitava os seus desejos, ele imaginava que se tornaria um artesão mundialmente famoso, que viajaria, que faria fortuna, que repararia catedrais, que o seu pai, que tinha desaparecido, regressaria e o amaria. Os seus sonhos chocavam com o seu mundo e ele não conseguia realizar nenhum deles. Queria sobretudo fugir da sua vida, mas ninguém o tinha ensinado a fugir, e tudo nele, a sua brutalidade, o seu comportamento com as mulheres e com as outras pessoas, o condenava; as únicas coisas que lhe restavam para esquecer eram o jogo e o álcool. Aos trinta e oito anos, após anos de fracasso e depressão, foi encontrado morto no chão do seu pequeno estúdio. Este livro é a história do seu colapso.» É. L.
Sombrio, dilacerante, político e íntimo, O Colapso , vencedor do prémio Les Inrockuptibles, é o mais recente e aclamado livro de Édouard Louis
Minha review no GoodReads
O Colapso foi o terceiro livro de Edouard Louis que li, depois de Para Acabar de Vez com Eddy Belleguelle e Quem Matou o Meu Pai. Talvez por isso, a leitura me tenha sabido a algo já conhecido, a sensação de déjà-vu é constante.
A insistência constante na expressão “o meu irmão” acabou por me cansar.
De qualquer forma, é impossível negar a força do texto. Uma escrita crua, directa e emocional que nos retrata o colapso pessoal, familiar e social.
O poeta Catulo escreveu, na morte do seu irmão:
Transportado através de tantas regiões e oceanos,
venho entregar-te, meu irmão, estas miseráveis oferendas
para te conceder um último rito funerário,
e falarei em vão às tuas cinzas mudas,
pois que o destino te arrancou de mim.
Ai, meu pobre irmão, de mim injustamente subtraído,
agora, estas coisas, segundo os nossos ancestrais costumes,
não passam das oferendas fúnebres de um triste ofício.
Aceita-as, molhadas por todas as lágrimas do teu irmão,
e para a eternidade, meu irmão, adeus e até sempre.
Será que escrevo porque não sinto a tristeza de Catulo e gostaria de a sentir? Será que escrevo na esperança de fazer acontecer a dor? Será que só escrevo porque essa dor me faria sentir normal, um irmão como todos os outros, que chora a morte do outro?
