Título: Coração-Castelo
Série: -
Autor: Raquel Ochoa
Data de Leitura: 16/01/2025 ⮞ 28/01/2025
Classificação: ⭐⭐⭐
Sinopse
Japão, 1637. Com a proibição de professar o cristianismo e a imposição de avultados tributos à população, cerca de 35 000 camponeses liderados por um general-menino com reputação de fazer milagres invadiram várias fortalezas governamentais e acabaram por se refugiar na ruína do castelo de Hara. Reconstroem-no em conjunto para resistir, ao longo de vários meses, à resposta do xogum – um cerco implacável levado a cabo pelas suas tropas.
Entre os que lutam contra a tirania, encontram-se Jana e o seu filho pequeno, bem como o ronin Haru – samurai renegado e agora ao serviço do seu povo. Apesar do ódio mútuo inicialmente sentido, Haru não consegue ficar indiferente a essa mulher que carrega um mistério e sabe pegar em armas, nem ao ciúme provocado pela relação dela com o missionário Clarimundo, um dos poucos portugueses que ainda não deixaram o Japão.
Mas são forçados a lutar em conjunto e, no caos que só a guerra poderia causar, os sentimentos entre estas três personagens vão exacerbar-se. Tal como no final do cerco, não existirá redenção, só a grande busca da liberdade. E a certeza de que há vida enquanto houver amor.
Este é um extraordinário romance sobre um episódio real, que foi finalista do Prémio LeYa em 2023.
Minha review no GoodReads
No Japão do século XVII, entre a miséria provocada por impostos exorbitantes e a perseguição implacável aos cristãos, cerca de 35.000 revoltosos levantaram-se contra o xogunato. Esta é a história da Revolta de Shimabara, onde camponeses exaustos, viúvas guerreiras e missionários encontraram o seu destino num cerco que duraria meses.
Esta revolta pode ser vista de duas perspectivas:
Económica
O xogum Matsukura desmantelou os seus castelos de Hara e Hinoe (cidade de Minamishimabara, província de Nagasaki), e começou a construção do novo Castelo de Shimabara (também conhecido como Castelo Matsutake). Os custos da empreitada foram tão grandes que a única solução foi um aumento absurdo de impostos.
Matsukura Katsuie, governante de Shimabara, sabia que uma colheita de arroz produziria cerca de 60 mil koku. Arbitrariamente, estipulou 120 mil koku como imposto mínimo, retirando aos camponeses tudo o que tinham. Ano após ano, os camponeses ficavam sempre mais exaustos, já não conseguindo alimentar sequer as crias do seu gado e os cavalos.
Religiosa
Para além dos problemas económicos os camponeses também enfrentavam a intolerância religiosa, principalmente aqueles que tinham adoptado a religião católica durante o período de colonização europeia.
– Já vai longa a história desses kirishitans no meu solo sagrado. O édito de expulsão do meu avô declarava: «Não pode sobrar um dedo de solo para os que se dizem cristãos.» Seria de prever algum tempo para os eliminar, mas este atraso na pacificação na ilha de Kyushu surpreende-me. Desde que Ieyasu declarou o budismo a religião estatal já lá vão décadas…
Os revoltosos refugiam-se no velho castelo de Hara. É aqui que conhecemos Jana e Tago - – Jana e Tago derivam de nomes portugueses, difíceis de pronunciar. - uma viúva e o seu filho.
É durante o cerco, que dura alguns meses, que acompanhamos estas duas personagens. Jana é uma camponesa, uma mulher misteriosa, uma guerreira, que se apaixona por Haru, um dos ronins mais importantes e muito próximo do líder da revolta. Ficamos também a conhecer Clarimundo Céu missionário jesuíta português que entra no castelo de Hara para lá permanecer no cerco, juntamente com os restantes kirishitans, e mais algumas personagens periféricas.
A força da resistência destes revoltosos surpreendeu todos, mas a revolta de Shimabara teve um final trágico e quase toda a população kirishitan foi massacrada.
Gostei da escrita da autora, mas acho que falta força ao romance. As personagens poderiam ter sido mais desenvolvidas e a história mais envolvente.
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