Título: A Praça do Diamante
Série: -
Autor: Mercè Rodoreda
Data de Leitura: 21/07/2019 ⮞ 25/07/2019
Classificação: ⭐⭐⭐⭐
Sinopse
Na Barcelona da década de 1930, Colometa, jovem balconista de uma loja de doces, leva uma vida banal ao lado do pai. Durante um baile na praça do Diamante, Colometa conhece Quimet, um jovem impetuoso que se tornará seu marido. Com ele, tem dois filhos e passa a criar pombos. A Guerra Civil toma de assalto a cidade, e aos poucos o universo de Colometa se desintegra. O marido parte para a luta, a comida acaba e os pombos representam um jugo insuportável. Num monólogo de profunda densidade psicológica, Mercè Rodoreda contrapõe o sofrimento pessoal de Colometa à dor coletiva de uma Espanha assolada pela Guerra Civil, exausta e faminta. A suposta ingenuidade da protagonista, sempre à mercê dos acontecimentos e das pessoas ao seu redor, aparece nas entrelinhas de A praça do Diamante, por meio de uma linguagem envolvente, utilizada às vezes em sentido ambíguo, com uma discreta ironia, além de toques de crueldade, agressividade e grande lirismo. “Abrir um romance, ler suas primeiras linhas e já sentir-se levado pela história e pela maneira como ela está sendo contada: esse é um dos itens incontestáveis da minha lista particular de Coisas Mais Prazerosas da Existência. Quando acontece por acaso, com uma obra sobre a qual sei previamente nada ou quase nada, tanto melhor. Foi assim com A praça do diamante.”
Minha review no GoodReads
Você sabe quem foi Mercè Rodoreda?
Esta é a pergunta com que Gabriel García Márquez inicia o prólogo desta obra.
Mercè Rodoreda i Gurguí (1908-1983) é considerada a escritora mais influente da língua catalã.
Ouvi falar pela primeira vez em Mercè há um ano, mas como todas as obra dela estão esgotadas nunca mais me lembrei da sua existência, até que na Feira do Livro da Gare do Oriente esta obra saltou para as minhas mãos, e por apenas 4€.
A praça do diamante é considerado um dos melhores romances publicados em Espanha após a guerra civil.
Publicado em 1962 conta-nos a história de Natália, empregada numa pastelaria, que conhece o seu futuro marido, Quimet, durante um baile, na Plaza del Diamant, no bairro Villa de Gràcia, em Barcelona.
Natália é a narradora, e com uma voz intimista, linguagem simples e olhar um pouco infantil ela conta-nos a sua história.
Quimet é um jovem impetuoso, e logo nas primeiras páginas percebemos que o seu relacionamento com Natália será abusivo. Trocam beijos no parque Güell, reformam um apartamento, casam e têm dois filhos (Antoni e Rita). A vida de Natália é complicada, marcada por grandes dificuldades que a obrigam a procurar trabalho como empregada doméstica. Paralelamente Quimet resolve criar pombos, achava que ia ficar rico, e acaba por montar um pombal no terraço e poedoiros dentro de casa.
A sua alcunha, Pombinha, e os pombos presos em casa remetem-nos para uma asfixia que lhe consome a alma.
“E foi nesse dia que disse para mim que aquilo tinha de acabar. Que tinham de acabar os pombos. Pombos, ervilhacas, bebedoiros, poedoiros, pombal e escadote, tudo a andar!”
A guerra começa, e acompanhamos não os que partiram, mas os que ficaram, as dificuldades que passaram, a fome, a sede, a miséria, o sofrimento e o desespero. É durante este período que a Natália ingénua desaparece, e num momento de desespero, cujo desfecho trágico não se concretiza, toda a sua vida volta a mudar.
Um livro profundo, doloroso, lírico mas simultaneamente cru, uma escrita simples mas intensa.
Você sabe quem foi Mercè Rodoreda?
Agora sei, e espero voltar a encontrar mais alguma obra dela perdida por essas feiras e alfarrabistas.
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Plaza del Diamante, Villa de Gràcia
Escultura de Xavier Medina Campeny